A/ ANATOMY, Morbid Anatomy
Blog, Junho de 2007 – até hoje
http://morbidanatomy.blogspot.com
morbid anatomy (n)
(Medicine) the branch of medical science concerned with the study of the structure of diseased organs and tissues
 Collins English Dictionary Complete and Unabridged HarperCollins Publishers 1991, 1994, 	1998, 2000, 2003
Morbid Anatomy é também o nome de um conhecido blog, museu e pequena biblioteca em Brooklyn, Nova Iorque. São divulgados e expostos livros e catálogos, fotografias, peças de arte, taxidermia, objectos efémeros e artefactos relacionados com medicina e arte anatómica, colecções de curiosidades sobre a história de medicina, da morte, sociedade e história natural.

Razões da escolha
Recebo as actualizações deste blog há cerca de dois anos. É uma presença constante e bem-vinda, recebo cerca de duas novas mensagens de e-mail por semana, recheadas de imagens que, pelo seu teor,  me fazem pensar sobre a ideia que a sociedade que produziu aquelas imagens tinha do que eram a mente e corpo humanos. Desde ilustrações a modelos de cera a tamanho real e fotografias, lê-se naquelas imagens não só uma tentativa de comunicar com objectividade mas também qual era a ideia de objectividade/verdade vigente.

Fundamentação teórica
Maior parte das imagens deste blog/museu estão datadas dos séculos XVIII, XIX e algumas dos inícios do século XX. São imagens exploratórias mas ao mesmo tempo confiantes. Imagens médicas de outras épocas – por exemplo, iluminuras medievais – não se revestiam desta confiança; eram imagens mais frágeis, menos minuciosas e menos confiantes – do ponto de vista antropocêntrico, voltando-se frequentemente para simbologias ou preconceitos religiosos ao invés da metodologia incansável que a ciência positivista cultivou.
A ideia principal do Positivismo,  a Lei dos Três Estados,  que fala dos três estados pelos quais o Homem passa para entender a realidade, fala do terceiro estado, o Positivo, em que o Homem deixa de se perguntar “porquê?” (“porque estamos aqui?” “para que existimos?”) para se concentrar no “como?”.  As ideias de descoberta da mecânica do universo, das leis naturais e a observação como sua ferramenta principal foram o motor da criação deste tipo de imagens.
A realização e levantamento destas imagens foi metódica, com a intenção clara de documentar e catalogar fenómenos patológicos, até aí simplesmente rodeados de desprezo ou piedade ou demitidos da sua dignidade humana como aberrações.  A racionalidade pregada pelo positivismo permitiu inverter esse esquema e, quase paradoxalmente, a frieza da ciência abriu as portas mais tarde à compreensão da sociedade.
Estas são imagens funcionais. Mas ultrapassada a sua função primordial, continuam a existir e a ser preservadas. O passado, a síntese de um mundo diferente do nosso que elas agoram contêm ou a mera beleza ou aura que delas emana fazem com que as mantenhamos entre nós.
A decadência da natureza – neste caso, do nosso corpo físico – estava para Freud directamente alinhada com a morte.  Será esta exibição ousada de imagens “mórbidas” uma tentativa de ao mesmo tempo enfretarmos e aceitarmos a nossa própria mortalidade?

Reflexão pessoal
Penso que este fascínio pelas representações do corpo e das suas patologias é, por um lado, um fascínio pela capacidade técnica de reprodução, e por outro, o fascínio pela nossa própria (individual) mortalidade.  Este último aspecto, do fascínio pela mortalidade pode relaciornar-se também, quase paradoxalmente, com o desejo e a busca da imortalidade. E mais imortal que o nosso corpo são os objectos culturais que deixamos, como indivíduos e sociedade.

Curiosidades
Penso que um filme interessante que se pode relacionar com esta escolha é o Homem Elefante, de David Lynch.

A/ ANATOMY, Morbid Anatomy

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(Medicine) the branch of medical science concerned with the study of the structure of diseased organs and tissues

Collins English Dictionary Complete and Unabridged HarperCollins Publishers 1991, 1994, 1998, 2000, 2003

Morbid Anatomy é também o nome de um conhecido blog, museu e pequena biblioteca em Brooklyn, Nova Iorque. São divulgados e expostos livros e catálogos, fotografias, peças de arte, taxidermia, objectos efémeros e artefactos relacionados com medicina e arte anatómica, colecções de curiosidades sobre a história de medicina, da morte, sociedade e história natural.

Razões da escolha

Recebo as actualizações deste blog há cerca de dois anos. É uma presença constante e bem-vinda, recebo cerca de duas novas mensagens de e-mail por semana, recheadas de imagens que, pelo seu teor, me fazem pensar sobre a ideia que a sociedade que produziu aquelas imagens tinha do que eram a mente e corpo humanos. Desde ilustrações a modelos de cera a tamanho real e fotografias, lê-se naquelas imagens não só uma tentativa de comunicar com objectividade mas também qual era a ideia de objectividade/verdade vigente.

Fundamentação teórica

Maior parte das imagens deste blog/museu estão datadas dos séculos XVIII, XIX e algumas dos inícios do século XX. São imagens exploratórias mas ao mesmo tempo confiantes. Imagens médicas de outras épocas – por exemplo, iluminuras medievais – não se revestiam desta confiança; eram imagens mais frágeis, menos minuciosas e menos confiantes – do ponto de vista antropocêntrico, voltando-se frequentemente para simbologias ou preconceitos religiosos ao invés da metodologia incansável que a ciência positivista cultivou.

A ideia principal do Positivismo, a Lei dos Três Estados, que fala dos três estados pelos quais o Homem passa para entender a realidade, fala do terceiro estado, o Positivo, em que o Homem deixa de se perguntar “porquê?” (“porque estamos aqui?” “para que existimos?”) para se concentrar no “como?”. As ideias de descoberta da mecânica do universo, das leis naturais e a observação como sua ferramenta principal foram o motor da criação deste tipo de imagens.

A realização e levantamento destas imagens foi metódica, com a intenção clara de documentar e catalogar fenómenos patológicos, até aí simplesmente rodeados de desprezo ou piedade ou demitidos da sua dignidade humana como aberrações. A racionalidade pregada pelo positivismo permitiu inverter esse esquema e, quase paradoxalmente, a frieza da ciência abriu as portas mais tarde à compreensão da sociedade.

Estas são imagens funcionais. Mas ultrapassada a sua função primordial, continuam a existir e a ser preservadas. O passado, a síntese de um mundo diferente do nosso que elas agoram contêm ou a mera beleza ou aura que delas emana fazem com que as mantenhamos entre nós.

A decadência da natureza – neste caso, do nosso corpo físico – estava para Freud directamente alinhada com a morte. Será esta exibição ousada de imagens “mórbidas” uma tentativa de ao mesmo tempo enfretarmos e aceitarmos a nossa própria mortalidade?

Reflexão pessoal

Penso que este fascínio pelas representações do corpo e das suas patologias é, por um lado, um fascínio pela capacidade técnica de reprodução, e por outro, o fascínio pela nossa própria (individual) mortalidade. Este último aspecto, do fascínio pela mortalidade pode relaciornar-se também, quase paradoxalmente, com o desejo e a busca da imortalidade. E mais imortal que o nosso corpo são os objectos culturais que deixamos, como indivíduos e sociedade.

Curiosidades

Penso que um filme interessante que se pode relacionar com esta escolha é o Homem Elefante, de David Lynch.

A/ ANATOMY, Morbid Anatomy
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(Medicine) the branch of medical science concerned with the study of the structure of diseased organs and tissues
 Collins English Dictionary Complete and Unabridged HarperCollins Publishers 1991, 1994, 	1998, 2000, 2003
Morbid Anatomy é também o nome de um conhecido blog, museu e pequena biblioteca em Brooklyn, Nova Iorque. São divulgados e expostos livros e catálogos, fotografias, peças de arte, taxidermia, objectos efémeros e artefactos relacionados com medicina e arte anatómica, colecções de curiosidades sobre a história de medicina, da morte, sociedade e história natural.

Razões da escolha
Recebo as actualizações deste blog há cerca de dois anos. É uma presença constante e bem-vinda, recebo cerca de duas novas mensagens de e-mail por semana, recheadas de imagens que, pelo seu teor,  me fazem pensar sobre a ideia que a sociedade que produziu aquelas imagens tinha do que eram a mente e corpo humanos. Desde ilustrações a modelos de cera a tamanho real e fotografias, lê-se naquelas imagens não só uma tentativa de comunicar com objectividade mas também qual era a ideia de objectividade/verdade vigente.

Fundamentação teórica
Maior parte das imagens deste blog/museu estão datadas dos séculos XVIII, XIX e algumas dos inícios do século XX. São imagens exploratórias mas ao mesmo tempo confiantes. Imagens médicas de outras épocas – por exemplo, iluminuras medievais – não se revestiam desta confiança; eram imagens mais frágeis, menos minuciosas e menos confiantes – do ponto de vista antropocêntrico, voltando-se frequentemente para simbologias ou preconceitos religiosos ao invés da metodologia incansável que a ciência positivista cultivou.
A ideia principal do Positivismo,  a Lei dos Três Estados,  que fala dos três estados pelos quais o Homem passa para entender a realidade, fala do terceiro estado, o Positivo, em que o Homem deixa de se perguntar “porquê?” (“porque estamos aqui?” “para que existimos?”) para se concentrar no “como?”.  As ideias de descoberta da mecânica do universo, das leis naturais e a observação como sua ferramenta principal foram o motor da criação deste tipo de imagens.
A realização e levantamento destas imagens foi metódica, com a intenção clara de documentar e catalogar fenómenos patológicos, até aí simplesmente rodeados de desprezo ou piedade ou demitidos da sua dignidade humana como aberrações.  A racionalidade pregada pelo positivismo permitiu inverter esse esquema e, quase paradoxalmente, a frieza da ciência abriu as portas mais tarde à compreensão da sociedade.
Estas são imagens funcionais. Mas ultrapassada a sua função primordial, continuam a existir e a ser preservadas. O passado, a síntese de um mundo diferente do nosso que elas agoram contêm ou a mera beleza ou aura que delas emana fazem com que as mantenhamos entre nós.
A decadência da natureza – neste caso, do nosso corpo físico – estava para Freud directamente alinhada com a morte.  Será esta exibição ousada de imagens “mórbidas” uma tentativa de ao mesmo tempo enfretarmos e aceitarmos a nossa própria mortalidade?

Reflexão pessoal
Penso que este fascínio pelas representações do corpo e das suas patologias é, por um lado, um fascínio pela capacidade técnica de reprodução, e por outro, o fascínio pela nossa própria (individual) mortalidade.  Este último aspecto, do fascínio pela mortalidade pode relaciornar-se também, quase paradoxalmente, com o desejo e a busca da imortalidade. E mais imortal que o nosso corpo são os objectos culturais que deixamos, como indivíduos e sociedade.

Curiosidades
Penso que um filme interessante que se pode relacionar com esta escolha é o Homem Elefante, de David Lynch.

A/ ANATOMY, Morbid Anatomy

Blog, Junho de 2007 – até hoje

http://morbidanatomy.blogspot.com

morbid anatomy (n)

(Medicine) the branch of medical science concerned with the study of the structure of diseased organs and tissues

Collins English Dictionary Complete and Unabridged HarperCollins Publishers 1991, 1994, 1998, 2000, 2003

Morbid Anatomy é também o nome de um conhecido blog, museu e pequena biblioteca em Brooklyn, Nova Iorque. São divulgados e expostos livros e catálogos, fotografias, peças de arte, taxidermia, objectos efémeros e artefactos relacionados com medicina e arte anatómica, colecções de curiosidades sobre a história de medicina, da morte, sociedade e história natural.

Razões da escolha

Recebo as actualizações deste blog há cerca de dois anos. É uma presença constante e bem-vinda, recebo cerca de duas novas mensagens de e-mail por semana, recheadas de imagens que, pelo seu teor, me fazem pensar sobre a ideia que a sociedade que produziu aquelas imagens tinha do que eram a mente e corpo humanos. Desde ilustrações a modelos de cera a tamanho real e fotografias, lê-se naquelas imagens não só uma tentativa de comunicar com objectividade mas também qual era a ideia de objectividade/verdade vigente.

Fundamentação teórica

Maior parte das imagens deste blog/museu estão datadas dos séculos XVIII, XIX e algumas dos inícios do século XX. São imagens exploratórias mas ao mesmo tempo confiantes. Imagens médicas de outras épocas – por exemplo, iluminuras medievais – não se revestiam desta confiança; eram imagens mais frágeis, menos minuciosas e menos confiantes – do ponto de vista antropocêntrico, voltando-se frequentemente para simbologias ou preconceitos religiosos ao invés da metodologia incansável que a ciência positivista cultivou.

A ideia principal do Positivismo, a Lei dos Três Estados, que fala dos três estados pelos quais o Homem passa para entender a realidade, fala do terceiro estado, o Positivo, em que o Homem deixa de se perguntar “porquê?” (“porque estamos aqui?” “para que existimos?”) para se concentrar no “como?”. As ideias de descoberta da mecânica do universo, das leis naturais e a observação como sua ferramenta principal foram o motor da criação deste tipo de imagens.

A realização e levantamento destas imagens foi metódica, com a intenção clara de documentar e catalogar fenómenos patológicos, até aí simplesmente rodeados de desprezo ou piedade ou demitidos da sua dignidade humana como aberrações. A racionalidade pregada pelo positivismo permitiu inverter esse esquema e, quase paradoxalmente, a frieza da ciência abriu as portas mais tarde à compreensão da sociedade.

Estas são imagens funcionais. Mas ultrapassada a sua função primordial, continuam a existir e a ser preservadas. O passado, a síntese de um mundo diferente do nosso que elas agoram contêm ou a mera beleza ou aura que delas emana fazem com que as mantenhamos entre nós.

A decadência da natureza – neste caso, do nosso corpo físico – estava para Freud directamente alinhada com a morte. Será esta exibição ousada de imagens “mórbidas” uma tentativa de ao mesmo tempo enfretarmos e aceitarmos a nossa própria mortalidade?

Reflexão pessoal

Penso que este fascínio pelas representações do corpo e das suas patologias é, por um lado, um fascínio pela capacidade técnica de reprodução, e por outro, o fascínio pela nossa própria (individual) mortalidade. Este último aspecto, do fascínio pela mortalidade pode relaciornar-se também, quase paradoxalmente, com o desejo e a busca da imortalidade. E mais imortal que o nosso corpo são os objectos culturais que deixamos, como indivíduos e sociedade.

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Penso que um filme interessante que se pode relacionar com esta escolha é o Homem Elefante, de David Lynch.

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26 escolhas e o seu respectivo suporte teórico.
2011