D/ DIA DE LOS MUERTOS

Informação técnica 
Celebração Religiosa
Actualmente: dia 1 e 2 de Novembro, México
Existe nas culturas indígenas da América do Sul desde há pelo menos 3000 anos e rituais similares ocorrem por todo o mundo.

Razões da escolha

Fui criada como católica – e praticante –, por isso assisti a várias cerimónias religiosas durante os anos. Lembro-me de fazer a visita ao cemitério no primeiro dia de Novembro e de como o dia era normalmente soturno, solene e triste. Fascinavam-me as outras celebrações da mesma religião – o cristianismo – que ocorriam em sítios como as Filipinas ou o México, que pulsavam de energia, violência e exuberância, num oposto exacto àquilo com que estava familiarizada.
Mais tarde comecei a descobrir várias referências à celebração Mexicana do Dia dos Mortos em filmes e objectos gráficos, desde posters e artwork de bandas a tatuagens.


Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

Esta celebração religiosa pode ser interpretada como um ritual de passagem do mundo terrestre para uma outra dimensão (no caso cristão, o Céu). Douglas Davies explica no livro A Brief History of Death, a visão tradicional cristã católica é a de que este mundo é apenas uma passagem, uma preparação para o seguinte. Para muitos, a morte é motivo de alegria pela vida eterna que se lhe segue.  Freud via a morte como enraízada no desejo humano de voltar à terra de onde todos saímos e através dela viver eternamente. Talvez estas duas visões não se auto-excluam e ajudem a compreender a necessidade da ritualização da morte.
Para os cristãos, celebrar a ressurreição é celebrar a vitória de Cristo sobre a Morte, vingando e aliviando finalmente a Humanidade dos sofrimentos terrenos. A ideologia, simbologia e celebrações cristãs são sempre testemunhos desse objectivo final, da transitividade por esta vida.
Os Cristãos glorificam a morte. A morte é o resultado do pecado (original) mas o pecado foi destruído por Cristo.
Do ponto de vista sociológico, os rituais de passagem são necessários para veicular a ideia de mudança individual. Há que reconhecer a inevitabilidade da morte, compreendê-la e aceitá-la. É através dos ritos funerários que os membros de uma comunidade trocam experiências e histórias sobre o significdo da vida e descobrem motivos para continuar a ter esperança nessa transcendência libertadora.
No caso mexicano, a celebração é festiva. Existe comida e bebida e muita cor. Caveiras de açucar e estatuetas de caveiras que usam flores lembram que a morte existe para todos. Estas estatuetas de caveiras que envergam vestidos elegantes e ramos de flores chamam-se Catrinas e simbolizam as pessoas elegantes, bonitas ou ricas, lembrando-as que também elas estão sujeitas ao mesmo destino final. Um paralelo pode ser traçado com as Danças Macabras, o tema artístico medieval que mostrava vários esqueletos dançando, contando a moral da verdadeira justiça que trata a todos como igual, a morte.


Curiosidades
as figuras das catrinas aparecem na obra de Diego Rivera
corpse bride

Hegemonia/Bricolage

A cultura cristã, agora hegemónica no México mas que teve de ser imposta durante a colonização da América Latina. A imposição de uma cultura raramente é passiva e neste caso – como em muitos outros – a imposição não foi absoluta, uma vez que se realizaram cedências e certas partes da cultura indígena foram absorvidas pela cultura trazida pelos europeus.
Este mecanismo é aliás, um facilitador para a conversão, pois ao invés de violentar completamente uma crença milenar, tenta suavizar a troca. Os intervenientes da cultura anterior ficam também satisfeitos pois têm uma maneira de se diferenciar e continuar a atacar a cultura imposta, através das suas práticas antigas.
O Dia de Los Muertos expressa bem o cruzamento entre o que eram os ritos antigos de oferta de flores e caveiras dos inimigos à Deusa dos Mortes, como símbolos de Morte e Renascimento e as celebrações cristãs de lembrança dos mortos.

D/ DIA DE LOS MUERTOS

Informação técnica 

Celebração Religiosa

Actualmente: dia 1 e 2 de Novembro, México

Existe nas culturas indígenas da América do Sul desde há pelo menos 3000 anos e rituais similares ocorrem por todo o mundo.

Razões da escolha

Fui criada como católica – e praticante –, por isso assisti a várias cerimónias religiosas durante os anos. Lembro-me de fazer a visita ao cemitério no primeiro dia de Novembro e de como o dia era normalmente soturno, solene e triste. Fascinavam-me as outras celebrações da mesma religião – o cristianismo – que ocorriam em sítios como as Filipinas ou o México, que pulsavam de energia, violência e exuberância, num oposto exacto àquilo com que estava familiarizada.

Mais tarde comecei a descobrir várias referências à celebração Mexicana do Dia dos Mortos em filmes e objectos gráficos, desde posters e artwork de bandas a tatuagens.

Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

Esta celebração religiosa pode ser interpretada como um ritual de passagem do mundo terrestre para uma outra dimensão (no caso cristão, o Céu). Douglas Davies explica no livro A Brief History of Death, a visão tradicional cristã católica é a de que este mundo é apenas uma passagem, uma preparação para o seguinte. Para muitos, a morte é motivo de alegria pela vida eterna que se lhe segue. Freud via a morte como enraízada no desejo humano de voltar à terra de onde todos saímos e através dela viver eternamente. Talvez estas duas visões não se auto-excluam e ajudem a compreender a necessidade da ritualização da morte.

Para os cristãos, celebrar a ressurreição é celebrar a vitória de Cristo sobre a Morte, vingando e aliviando finalmente a Humanidade dos sofrimentos terrenos. A ideologia, simbologia e celebrações cristãs são sempre testemunhos desse objectivo final, da transitividade por esta vida.

Os Cristãos glorificam a morte. A morte é o resultado do pecado (original) mas o pecado foi destruído por Cristo.

Do ponto de vista sociológico, os rituais de passagem são necessários para veicular a ideia de mudança individual. Há que reconhecer a inevitabilidade da morte, compreendê-la e aceitá-la. É através dos ritos funerários que os membros de uma comunidade trocam experiências e histórias sobre o significdo da vida e descobrem motivos para continuar a ter esperança nessa transcendência libertadora.

No caso mexicano, a celebração é festiva. Existe comida e bebida e muita cor. Caveiras de açucar e estatuetas de caveiras que usam flores lembram que a morte existe para todos. Estas estatuetas de caveiras que envergam vestidos elegantes e ramos de flores chamam-se Catrinas e simbolizam as pessoas elegantes, bonitas ou ricas, lembrando-as que também elas estão sujeitas ao mesmo destino final. Um paralelo pode ser traçado com as Danças Macabras, o tema artístico medieval que mostrava vários esqueletos dançando, contando a moral da verdadeira justiça que trata a todos como igual, a morte.

Curiosidades

as figuras das catrinas aparecem na obra de Diego Rivera

corpse bride

Hegemonia/Bricolage

A cultura cristã, agora hegemónica no México mas que teve de ser imposta durante a colonização da América Latina. A imposição de uma cultura raramente é passiva e neste caso – como em muitos outros – a imposição não foi absoluta, uma vez que se realizaram cedências e certas partes da cultura indígena foram absorvidas pela cultura trazida pelos europeus.

Este mecanismo é aliás, um facilitador para a conversão, pois ao invés de violentar completamente uma crença milenar, tenta suavizar a troca. Os intervenientes da cultura anterior ficam também satisfeitos pois têm uma maneira de se diferenciar e continuar a atacar a cultura imposta, através das suas práticas antigas.

O Dia de Los Muertos expressa bem o cruzamento entre o que eram os ritos antigos de oferta de flores e caveiras dos inimigos à Deusa dos Mortes, como símbolos de Morte e Renascimento e as celebrações cristãs de lembrança dos mortos.

D/ DIA DE LOS MUERTOS

Informação técnica 
Celebração Religiosa
Actualmente: dia 1 e 2 de Novembro, México
Existe nas culturas indígenas da América do Sul desde há pelo menos 3000 anos e rituais similares ocorrem por todo o mundo.

Razões da escolha

Fui criada como católica – e praticante –, por isso assisti a várias cerimónias religiosas durante os anos. Lembro-me de fazer a visita ao cemitério no primeiro dia de Novembro e de como o dia era normalmente soturno, solene e triste. Fascinavam-me as outras celebrações da mesma religião – o cristianismo – que ocorriam em sítios como as Filipinas ou o México, que pulsavam de energia, violência e exuberância, num oposto exacto àquilo com que estava familiarizada.
Mais tarde comecei a descobrir várias referências à celebração Mexicana do Dia dos Mortos em filmes e objectos gráficos, desde posters e artwork de bandas a tatuagens.


Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

Esta celebração religiosa pode ser interpretada como um ritual de passagem do mundo terrestre para uma outra dimensão (no caso cristão, o Céu). Douglas Davies explica no livro A Brief History of Death, a visão tradicional cristã católica é a de que este mundo é apenas uma passagem, uma preparação para o seguinte. Para muitos, a morte é motivo de alegria pela vida eterna que se lhe segue.  Freud via a morte como enraízada no desejo humano de voltar à terra de onde todos saímos e através dela viver eternamente. Talvez estas duas visões não se auto-excluam e ajudem a compreender a necessidade da ritualização da morte.
Para os cristãos, celebrar a ressurreição é celebrar a vitória de Cristo sobre a Morte, vingando e aliviando finalmente a Humanidade dos sofrimentos terrenos. A ideologia, simbologia e celebrações cristãs são sempre testemunhos desse objectivo final, da transitividade por esta vida.
Os Cristãos glorificam a morte. A morte é o resultado do pecado (original) mas o pecado foi destruído por Cristo.
Do ponto de vista sociológico, os rituais de passagem são necessários para veicular a ideia de mudança individual. Há que reconhecer a inevitabilidade da morte, compreendê-la e aceitá-la. É através dos ritos funerários que os membros de uma comunidade trocam experiências e histórias sobre o significdo da vida e descobrem motivos para continuar a ter esperança nessa transcendência libertadora.
No caso mexicano, a celebração é festiva. Existe comida e bebida e muita cor. Caveiras de açucar e estatuetas de caveiras que usam flores lembram que a morte existe para todos. Estas estatuetas de caveiras que envergam vestidos elegantes e ramos de flores chamam-se Catrinas e simbolizam as pessoas elegantes, bonitas ou ricas, lembrando-as que também elas estão sujeitas ao mesmo destino final. Um paralelo pode ser traçado com as Danças Macabras, o tema artístico medieval que mostrava vários esqueletos dançando, contando a moral da verdadeira justiça que trata a todos como igual, a morte.


Curiosidades
as figuras das catrinas aparecem na obra de Diego Rivera
corpse bride

Hegemonia/Bricolage

A cultura cristã, agora hegemónica no México mas que teve de ser imposta durante a colonização da América Latina. A imposição de uma cultura raramente é passiva e neste caso – como em muitos outros – a imposição não foi absoluta, uma vez que se realizaram cedências e certas partes da cultura indígena foram absorvidas pela cultura trazida pelos europeus.
Este mecanismo é aliás, um facilitador para a conversão, pois ao invés de violentar completamente uma crença milenar, tenta suavizar a troca. Os intervenientes da cultura anterior ficam também satisfeitos pois têm uma maneira de se diferenciar e continuar a atacar a cultura imposta, através das suas práticas antigas.
O Dia de Los Muertos expressa bem o cruzamento entre o que eram os ritos antigos de oferta de flores e caveiras dos inimigos à Deusa dos Mortes, como símbolos de Morte e Renascimento e as celebrações cristãs de lembrança dos mortos.

D/ DIA DE LOS MUERTOS

Informação técnica 

Celebração Religiosa

Actualmente: dia 1 e 2 de Novembro, México

Existe nas culturas indígenas da América do Sul desde há pelo menos 3000 anos e rituais similares ocorrem por todo o mundo.

Razões da escolha

Fui criada como católica – e praticante –, por isso assisti a várias cerimónias religiosas durante os anos. Lembro-me de fazer a visita ao cemitério no primeiro dia de Novembro e de como o dia era normalmente soturno, solene e triste. Fascinavam-me as outras celebrações da mesma religião – o cristianismo – que ocorriam em sítios como as Filipinas ou o México, que pulsavam de energia, violência e exuberância, num oposto exacto àquilo com que estava familiarizada.

Mais tarde comecei a descobrir várias referências à celebração Mexicana do Dia dos Mortos em filmes e objectos gráficos, desde posters e artwork de bandas a tatuagens.

Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

Esta celebração religiosa pode ser interpretada como um ritual de passagem do mundo terrestre para uma outra dimensão (no caso cristão, o Céu). Douglas Davies explica no livro A Brief History of Death, a visão tradicional cristã católica é a de que este mundo é apenas uma passagem, uma preparação para o seguinte. Para muitos, a morte é motivo de alegria pela vida eterna que se lhe segue. Freud via a morte como enraízada no desejo humano de voltar à terra de onde todos saímos e através dela viver eternamente. Talvez estas duas visões não se auto-excluam e ajudem a compreender a necessidade da ritualização da morte.

Para os cristãos, celebrar a ressurreição é celebrar a vitória de Cristo sobre a Morte, vingando e aliviando finalmente a Humanidade dos sofrimentos terrenos. A ideologia, simbologia e celebrações cristãs são sempre testemunhos desse objectivo final, da transitividade por esta vida.

Os Cristãos glorificam a morte. A morte é o resultado do pecado (original) mas o pecado foi destruído por Cristo.

Do ponto de vista sociológico, os rituais de passagem são necessários para veicular a ideia de mudança individual. Há que reconhecer a inevitabilidade da morte, compreendê-la e aceitá-la. É através dos ritos funerários que os membros de uma comunidade trocam experiências e histórias sobre o significdo da vida e descobrem motivos para continuar a ter esperança nessa transcendência libertadora.

No caso mexicano, a celebração é festiva. Existe comida e bebida e muita cor. Caveiras de açucar e estatuetas de caveiras que usam flores lembram que a morte existe para todos. Estas estatuetas de caveiras que envergam vestidos elegantes e ramos de flores chamam-se Catrinas e simbolizam as pessoas elegantes, bonitas ou ricas, lembrando-as que também elas estão sujeitas ao mesmo destino final. Um paralelo pode ser traçado com as Danças Macabras, o tema artístico medieval que mostrava vários esqueletos dançando, contando a moral da verdadeira justiça que trata a todos como igual, a morte.

Curiosidades

as figuras das catrinas aparecem na obra de Diego Rivera

corpse bride

Hegemonia/Bricolage

A cultura cristã, agora hegemónica no México mas que teve de ser imposta durante a colonização da América Latina. A imposição de uma cultura raramente é passiva e neste caso – como em muitos outros – a imposição não foi absoluta, uma vez que se realizaram cedências e certas partes da cultura indígena foram absorvidas pela cultura trazida pelos europeus.

Este mecanismo é aliás, um facilitador para a conversão, pois ao invés de violentar completamente uma crença milenar, tenta suavizar a troca. Os intervenientes da cultura anterior ficam também satisfeitos pois têm uma maneira de se diferenciar e continuar a atacar a cultura imposta, através das suas práticas antigas.

O Dia de Los Muertos expressa bem o cruzamento entre o que eram os ritos antigos de oferta de flores e caveiras dos inimigos à Deusa dos Mortes, como símbolos de Morte e Renascimento e as celebrações cristãs de lembrança dos mortos.

Posted 2 years ago View high resolution

About:

26 escolhas e o seu respectivo suporte teórico.
2011