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A/ ANATOMY, Morbid Anatomy
Blog, Junho de 2007 – até hoje
http://morbidanatomy.blogspot.com
morbid anatomy (n)
(Medicine) the branch of medical science concerned with the study of the structure of diseased organs and tissues
 Collins English Dictionary Complete and Unabridged HarperCollins Publishers 1991, 1994, 	1998, 2000, 2003
Morbid Anatomy é também o nome de um conhecido blog, museu e pequena biblioteca em Brooklyn, Nova Iorque. São divulgados e expostos livros e catálogos, fotografias, peças de arte, taxidermia, objectos efémeros e artefactos relacionados com medicina e arte anatómica, colecções de curiosidades sobre a história de medicina, da morte, sociedade e história natural.

Razões da escolha
Recebo as actualizações deste blog há cerca de dois anos. É uma presença constante e bem-vinda, recebo cerca de duas novas mensagens de e-mail por semana, recheadas de imagens que, pelo seu teor,  me fazem pensar sobre a ideia que a sociedade que produziu aquelas imagens tinha do que eram a mente e corpo humanos. Desde ilustrações a modelos de cera a tamanho real e fotografias, lê-se naquelas imagens não só uma tentativa de comunicar com objectividade mas também qual era a ideia de objectividade/verdade vigente.

Fundamentação teórica
Maior parte das imagens deste blog/museu estão datadas dos séculos XVIII, XIX e algumas dos inícios do século XX. São imagens exploratórias mas ao mesmo tempo confiantes. Imagens médicas de outras épocas – por exemplo, iluminuras medievais – não se revestiam desta confiança; eram imagens mais frágeis, menos minuciosas e menos confiantes – do ponto de vista antropocêntrico, voltando-se frequentemente para simbologias ou preconceitos religiosos ao invés da metodologia incansável que a ciência positivista cultivou.
A ideia principal do Positivismo,  a Lei dos Três Estados,  que fala dos três estados pelos quais o Homem passa para entender a realidade, fala do terceiro estado, o Positivo, em que o Homem deixa de se perguntar “porquê?” (“porque estamos aqui?” “para que existimos?”) para se concentrar no “como?”.  As ideias de descoberta da mecânica do universo, das leis naturais e a observação como sua ferramenta principal foram o motor da criação deste tipo de imagens.
A realização e levantamento destas imagens foi metódica, com a intenção clara de documentar e catalogar fenómenos patológicos, até aí simplesmente rodeados de desprezo ou piedade ou demitidos da sua dignidade humana como aberrações.  A racionalidade pregada pelo positivismo permitiu inverter esse esquema e, quase paradoxalmente, a frieza da ciência abriu as portas mais tarde à compreensão da sociedade.
Estas são imagens funcionais. Mas ultrapassada a sua função primordial, continuam a existir e a ser preservadas. O passado, a síntese de um mundo diferente do nosso que elas agoram contêm ou a mera beleza ou aura que delas emana fazem com que as mantenhamos entre nós.
A decadência da natureza – neste caso, do nosso corpo físico – estava para Freud directamente alinhada com a morte.  Será esta exibição ousada de imagens “mórbidas” uma tentativa de ao mesmo tempo enfretarmos e aceitarmos a nossa própria mortalidade?

Reflexão pessoal
Penso que este fascínio pelas representações do corpo e das suas patologias é, por um lado, um fascínio pela capacidade técnica de reprodução, e por outro, o fascínio pela nossa própria (individual) mortalidade.  Este último aspecto, do fascínio pela mortalidade pode relaciornar-se também, quase paradoxalmente, com o desejo e a busca da imortalidade. E mais imortal que o nosso corpo são os objectos culturais que deixamos, como indivíduos e sociedade.

Curiosidades
Penso que um filme interessante que se pode relacionar com esta escolha é o Homem Elefante, de David Lynch.

A/ ANATOMY, Morbid Anatomy

Blog, Junho de 2007 – até hoje

http://morbidanatomy.blogspot.com

morbid anatomy (n)

(Medicine) the branch of medical science concerned with the study of the structure of diseased organs and tissues

Collins English Dictionary Complete and Unabridged HarperCollins Publishers 1991, 1994, 1998, 2000, 2003

Morbid Anatomy é também o nome de um conhecido blog, museu e pequena biblioteca em Brooklyn, Nova Iorque. São divulgados e expostos livros e catálogos, fotografias, peças de arte, taxidermia, objectos efémeros e artefactos relacionados com medicina e arte anatómica, colecções de curiosidades sobre a história de medicina, da morte, sociedade e história natural.

Razões da escolha

Recebo as actualizações deste blog há cerca de dois anos. É uma presença constante e bem-vinda, recebo cerca de duas novas mensagens de e-mail por semana, recheadas de imagens que, pelo seu teor, me fazem pensar sobre a ideia que a sociedade que produziu aquelas imagens tinha do que eram a mente e corpo humanos. Desde ilustrações a modelos de cera a tamanho real e fotografias, lê-se naquelas imagens não só uma tentativa de comunicar com objectividade mas também qual era a ideia de objectividade/verdade vigente.

Fundamentação teórica

Maior parte das imagens deste blog/museu estão datadas dos séculos XVIII, XIX e algumas dos inícios do século XX. São imagens exploratórias mas ao mesmo tempo confiantes. Imagens médicas de outras épocas – por exemplo, iluminuras medievais – não se revestiam desta confiança; eram imagens mais frágeis, menos minuciosas e menos confiantes – do ponto de vista antropocêntrico, voltando-se frequentemente para simbologias ou preconceitos religiosos ao invés da metodologia incansável que a ciência positivista cultivou.

A ideia principal do Positivismo, a Lei dos Três Estados, que fala dos três estados pelos quais o Homem passa para entender a realidade, fala do terceiro estado, o Positivo, em que o Homem deixa de se perguntar “porquê?” (“porque estamos aqui?” “para que existimos?”) para se concentrar no “como?”. As ideias de descoberta da mecânica do universo, das leis naturais e a observação como sua ferramenta principal foram o motor da criação deste tipo de imagens.

A realização e levantamento destas imagens foi metódica, com a intenção clara de documentar e catalogar fenómenos patológicos, até aí simplesmente rodeados de desprezo ou piedade ou demitidos da sua dignidade humana como aberrações. A racionalidade pregada pelo positivismo permitiu inverter esse esquema e, quase paradoxalmente, a frieza da ciência abriu as portas mais tarde à compreensão da sociedade.

Estas são imagens funcionais. Mas ultrapassada a sua função primordial, continuam a existir e a ser preservadas. O passado, a síntese de um mundo diferente do nosso que elas agoram contêm ou a mera beleza ou aura que delas emana fazem com que as mantenhamos entre nós.

A decadência da natureza – neste caso, do nosso corpo físico – estava para Freud directamente alinhada com a morte. Será esta exibição ousada de imagens “mórbidas” uma tentativa de ao mesmo tempo enfretarmos e aceitarmos a nossa própria mortalidade?

Reflexão pessoal

Penso que este fascínio pelas representações do corpo e das suas patologias é, por um lado, um fascínio pela capacidade técnica de reprodução, e por outro, o fascínio pela nossa própria (individual) mortalidade. Este último aspecto, do fascínio pela mortalidade pode relaciornar-se também, quase paradoxalmente, com o desejo e a busca da imortalidade. E mais imortal que o nosso corpo são os objectos culturais que deixamos, como indivíduos e sociedade.

Curiosidades

Penso que um filme interessante que se pode relacionar com esta escolha é o Homem Elefante, de David Lynch.

B/ BEARS AND WOODS

Informação técnica 
2009
Ilustração
Grafites várias sobre papel
Edinburgh

Razões da escolha
É uma ilustradora que sigo há algum tempo. Estou captivada desde a primeira vez pelo ambiente agreste, solitário e denso das suas ilustrações. A ligação sempre presente à natureza é muito importante para mim. Relacciono-a estreitamente com as obras literárias dos russos Tolstoi, Dostoievski e Gogol; ela cria no papel as atmosferas que imaginava ao ler aquelas obras.


Acerca da Lizzy
Lizzy Stewart é uma ilustradora que vive e trabalha em Edinburgo. Segundo o seu website, os seus trabalhos são inspirados principalmente pela necessidade que ela sente de contar histórias e pela cultura popular, pela música que ouve e pela cidade onde mora.

Fundamentação teórica
Ilustrar, no sentido das artes plásticas/design, é dar forma visual a uma ideia. Tradicionalmente acompanhava um texto, como no caso das iluminuras medievais, mas mais recentemente encntra-se emancipada e percorre o limbo entre o design gráfico e as artes plásticas. Em relação à sua reprodutibilidade, o design gráfico prevê quase à partida que uma obra de ilustração será uma obra de múltiplos, a partir de uma matriz. Assim, essa matriz, já destinada e pensada segundo a sua multiplicação não se comparará ao negativo de uma fotografia? E sendo assim, segndo Walter Benjamin:
"De um lado, a reprodução técnica está mais independente do original. No caso da fotografia, é capaz de ressaltar aspectos do original que escapam ao olho e são apenas passíveis de serem apreendidos por uma objetiva que se desloque livremente a fim de obter diversos ângulos de visão; graças a métodos como a ampliação ou a desaceleração, pode-se atingir a realidades ignoradas pela visão natural. Ao mesmo tempo, a técnica pode levar a reprodução de situações, onde o próprio original jamais seria encontrado. Sob a forma de fotografia ou de disco permite sobretudo a maior aproximação da obra ao espectador ou ao ouvinte."
e
"Reproduzem-se cada vez mais obras de arte, que foram feitas justamente para serem reproduzidas.Da chapa fotográfica pode-se tirar um grande número de provas; seria absurdo indagar qual delas é a autêntica.”

Por outro lado, a ilustração criada apenas para expôr ou os originais mais tarde expostos em galerias, ganham uma aura que não se encontra nas reproduções.

Reflexão pessoal
Falando mais concretamente do trabalho de Lizzy Stewart, não consigo deixar de o associar a uma outra obra. Estou a falar de Walden, Or Life In The Woods de Henry David Thoreau. O que a obra exprime por palavras, a sua ideologia profunda, parece emergir mais ou menos timidamente no trabalho desta autora. Mesmo que Lizzy nunca tenha lido a obra de Thoreau, partilham de alguns pontos comuns. Em Walden, Thoreau experimenta a vida o mais depurada e auto-suficiente possível – contruiu a sua própria cabana de madeira e viveu aí dois anos, produzindo quase tudo o que necessitava, negando o consumo daquilo que não era indispensável e outras frivolidades sociais, lendo e observando a natureza.  Um ponto que une Lizzy a Thoreau é a influência que este teve em Tolstoi, autor que por sua vez influenciou Lizzy.  Thoreau advoga a auto-suficiência e, até um certo ponto, uma espécie de retorno à natureza. As personagens e paisagens de Lizzy parecem muitas vezes um espelho das suas palavras, uma caban perdida na imensidão, rostos rudes ou grupos de trabalhadores, personagens solitários com a companhia de animais, a natureza. Enquadra-se também numa tendência pós-modernista de crítica à globalização e consumo, relevando os costumes locais e a natureza/ecologia.

Linguagem
A linguagem ilustrativa de Lizzy tem algumas influências identificáveis e transporta para o seu trabalho alguns elementos exteriores.
Uma dessas influências será Edward Gorey, através de um uso similar das grandes manchas de trama e do ambiente por vezes escuro e denso das ilustrações.

Bricolage
Retira do imaginário popular histórias e personagens de contos populares ou de obras literárias, como o Monte dos Vendavais.
Noutro dos seus trabalhos, re-interpreta fotografias antigas de comunidades indígenas da América do Norte, pintando-as por cima e transporta depois também alguns dos padrões geométricos dessas sociedades para outras das suas ilustrações.

B/ BEARS AND WOODS


Informação técnica 

2009

Ilustração

Grafites várias sobre papel

Edinburgh

Razões da escolha

É uma ilustradora que sigo há algum tempo. Estou captivada desde a primeira vez pelo ambiente agreste, solitário e denso das suas ilustrações. A ligação sempre presente à natureza é muito importante para mim. Relacciono-a estreitamente com as obras literárias dos russos Tolstoi, Dostoievski e Gogol; ela cria no papel as atmosferas que imaginava ao ler aquelas obras.

Acerca da Lizzy

Lizzy Stewart é uma ilustradora que vive e trabalha em Edinburgo. Segundo o seu website, os seus trabalhos são inspirados principalmente pela necessidade que ela sente de contar histórias e pela cultura popular, pela música que ouve e pela cidade onde mora.

Fundamentação teórica

Ilustrar, no sentido das artes plásticas/design, é dar forma visual a uma ideia. Tradicionalmente acompanhava um texto, como no caso das iluminuras medievais, mas mais recentemente encntra-se emancipada e percorre o limbo entre o design gráfico e as artes plásticas. Em relação à sua reprodutibilidade, o design gráfico prevê quase à partida que uma obra de ilustração será uma obra de múltiplos, a partir de uma matriz. Assim, essa matriz, já destinada e pensada segundo a sua multiplicação não se comparará ao negativo de uma fotografia? E sendo assim, segndo Walter Benjamin:

"De um lado, a reprodução técnica está mais independente do original. No caso da fotografia, é capaz de ressaltar aspectos do original que escapam ao olho e são apenas passíveis de serem apreendidos por uma objetiva que se desloque livremente a fim de obter diversos ângulos de visão; graças a métodos como a ampliação ou a desaceleração, pode-se atingir a realidades ignoradas pela visão natural. Ao mesmo tempo, a técnica pode levar a reprodução de situações, onde o próprio original jamais seria encontrado. Sob a forma de fotografia ou de disco permite sobretudo a maior aproximação da obra ao espectador ou ao ouvinte."

e

"Reproduzem-se cada vez mais obras de arte, que foram feitas justamente para serem reproduzidas.Da chapa fotográfica pode-se tirar um grande número de provas; seria absurdo indagar qual delas é a autêntica.”

Por outro lado, a ilustração criada apenas para expôr ou os originais mais tarde expostos em galerias, ganham uma aura que não se encontra nas reproduções.

Reflexão pessoal

Falando mais concretamente do trabalho de Lizzy Stewart, não consigo deixar de o associar a uma outra obra. Estou a falar de Walden, Or Life In The Woods de Henry David Thoreau. O que a obra exprime por palavras, a sua ideologia profunda, parece emergir mais ou menos timidamente no trabalho desta autora. Mesmo que Lizzy nunca tenha lido a obra de Thoreau, partilham de alguns pontos comuns. Em Walden, Thoreau experimenta a vida o mais depurada e auto-suficiente possível – contruiu a sua própria cabana de madeira e viveu aí dois anos, produzindo quase tudo o que necessitava, negando o consumo daquilo que não era indispensável e outras frivolidades sociais, lendo e observando a natureza. Um ponto que une Lizzy a Thoreau é a influência que este teve em Tolstoi, autor que por sua vez influenciou Lizzy. Thoreau advoga a auto-suficiência e, até um certo ponto, uma espécie de retorno à natureza. As personagens e paisagens de Lizzy parecem muitas vezes um espelho das suas palavras, uma caban perdida na imensidão, rostos rudes ou grupos de trabalhadores, personagens solitários com a companhia de animais, a natureza. Enquadra-se também numa tendência pós-modernista de crítica à globalização e consumo, relevando os costumes locais e a natureza/ecologia.

Linguagem

A linguagem ilustrativa de Lizzy tem algumas influências identificáveis e transporta para o seu trabalho alguns elementos exteriores.

Uma dessas influências será Edward Gorey, através de um uso similar das grandes manchas de trama e do ambiente por vezes escuro e denso das ilustrações.

Bricolage

Retira do imaginário popular histórias e personagens de contos populares ou de obras literárias, como o Monte dos Vendavais.

Noutro dos seus trabalhos, re-interpreta fotografias antigas de comunidades indígenas da América do Norte, pintando-as por cima e transporta depois também alguns dos padrões geométricos dessas sociedades para outras das suas ilustrações.

D/ DIA DE LOS MUERTOS

Informação técnica 
Celebração Religiosa
Actualmente: dia 1 e 2 de Novembro, México
Existe nas culturas indígenas da América do Sul desde há pelo menos 3000 anos e rituais similares ocorrem por todo o mundo.

Razões da escolha

Fui criada como católica – e praticante –, por isso assisti a várias cerimónias religiosas durante os anos. Lembro-me de fazer a visita ao cemitério no primeiro dia de Novembro e de como o dia era normalmente soturno, solene e triste. Fascinavam-me as outras celebrações da mesma religião – o cristianismo – que ocorriam em sítios como as Filipinas ou o México, que pulsavam de energia, violência e exuberância, num oposto exacto àquilo com que estava familiarizada.
Mais tarde comecei a descobrir várias referências à celebração Mexicana do Dia dos Mortos em filmes e objectos gráficos, desde posters e artwork de bandas a tatuagens.


Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

Esta celebração religiosa pode ser interpretada como um ritual de passagem do mundo terrestre para uma outra dimensão (no caso cristão, o Céu). Douglas Davies explica no livro A Brief History of Death, a visão tradicional cristã católica é a de que este mundo é apenas uma passagem, uma preparação para o seguinte. Para muitos, a morte é motivo de alegria pela vida eterna que se lhe segue.  Freud via a morte como enraízada no desejo humano de voltar à terra de onde todos saímos e através dela viver eternamente. Talvez estas duas visões não se auto-excluam e ajudem a compreender a necessidade da ritualização da morte.
Para os cristãos, celebrar a ressurreição é celebrar a vitória de Cristo sobre a Morte, vingando e aliviando finalmente a Humanidade dos sofrimentos terrenos. A ideologia, simbologia e celebrações cristãs são sempre testemunhos desse objectivo final, da transitividade por esta vida.
Os Cristãos glorificam a morte. A morte é o resultado do pecado (original) mas o pecado foi destruído por Cristo.
Do ponto de vista sociológico, os rituais de passagem são necessários para veicular a ideia de mudança individual. Há que reconhecer a inevitabilidade da morte, compreendê-la e aceitá-la. É através dos ritos funerários que os membros de uma comunidade trocam experiências e histórias sobre o significdo da vida e descobrem motivos para continuar a ter esperança nessa transcendência libertadora.
No caso mexicano, a celebração é festiva. Existe comida e bebida e muita cor. Caveiras de açucar e estatuetas de caveiras que usam flores lembram que a morte existe para todos. Estas estatuetas de caveiras que envergam vestidos elegantes e ramos de flores chamam-se Catrinas e simbolizam as pessoas elegantes, bonitas ou ricas, lembrando-as que também elas estão sujeitas ao mesmo destino final. Um paralelo pode ser traçado com as Danças Macabras, o tema artístico medieval que mostrava vários esqueletos dançando, contando a moral da verdadeira justiça que trata a todos como igual, a morte.


Curiosidades
as figuras das catrinas aparecem na obra de Diego Rivera
corpse bride

Hegemonia/Bricolage

A cultura cristã, agora hegemónica no México mas que teve de ser imposta durante a colonização da América Latina. A imposição de uma cultura raramente é passiva e neste caso – como em muitos outros – a imposição não foi absoluta, uma vez que se realizaram cedências e certas partes da cultura indígena foram absorvidas pela cultura trazida pelos europeus.
Este mecanismo é aliás, um facilitador para a conversão, pois ao invés de violentar completamente uma crença milenar, tenta suavizar a troca. Os intervenientes da cultura anterior ficam também satisfeitos pois têm uma maneira de se diferenciar e continuar a atacar a cultura imposta, através das suas práticas antigas.
O Dia de Los Muertos expressa bem o cruzamento entre o que eram os ritos antigos de oferta de flores e caveiras dos inimigos à Deusa dos Mortes, como símbolos de Morte e Renascimento e as celebrações cristãs de lembrança dos mortos.

D/ DIA DE LOS MUERTOS

Informação técnica 

Celebração Religiosa

Actualmente: dia 1 e 2 de Novembro, México

Existe nas culturas indígenas da América do Sul desde há pelo menos 3000 anos e rituais similares ocorrem por todo o mundo.

Razões da escolha

Fui criada como católica – e praticante –, por isso assisti a várias cerimónias religiosas durante os anos. Lembro-me de fazer a visita ao cemitério no primeiro dia de Novembro e de como o dia era normalmente soturno, solene e triste. Fascinavam-me as outras celebrações da mesma religião – o cristianismo – que ocorriam em sítios como as Filipinas ou o México, que pulsavam de energia, violência e exuberância, num oposto exacto àquilo com que estava familiarizada.

Mais tarde comecei a descobrir várias referências à celebração Mexicana do Dia dos Mortos em filmes e objectos gráficos, desde posters e artwork de bandas a tatuagens.

Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

Esta celebração religiosa pode ser interpretada como um ritual de passagem do mundo terrestre para uma outra dimensão (no caso cristão, o Céu). Douglas Davies explica no livro A Brief History of Death, a visão tradicional cristã católica é a de que este mundo é apenas uma passagem, uma preparação para o seguinte. Para muitos, a morte é motivo de alegria pela vida eterna que se lhe segue. Freud via a morte como enraízada no desejo humano de voltar à terra de onde todos saímos e através dela viver eternamente. Talvez estas duas visões não se auto-excluam e ajudem a compreender a necessidade da ritualização da morte.

Para os cristãos, celebrar a ressurreição é celebrar a vitória de Cristo sobre a Morte, vingando e aliviando finalmente a Humanidade dos sofrimentos terrenos. A ideologia, simbologia e celebrações cristãs são sempre testemunhos desse objectivo final, da transitividade por esta vida.

Os Cristãos glorificam a morte. A morte é o resultado do pecado (original) mas o pecado foi destruído por Cristo.

Do ponto de vista sociológico, os rituais de passagem são necessários para veicular a ideia de mudança individual. Há que reconhecer a inevitabilidade da morte, compreendê-la e aceitá-la. É através dos ritos funerários que os membros de uma comunidade trocam experiências e histórias sobre o significdo da vida e descobrem motivos para continuar a ter esperança nessa transcendência libertadora.

No caso mexicano, a celebração é festiva. Existe comida e bebida e muita cor. Caveiras de açucar e estatuetas de caveiras que usam flores lembram que a morte existe para todos. Estas estatuetas de caveiras que envergam vestidos elegantes e ramos de flores chamam-se Catrinas e simbolizam as pessoas elegantes, bonitas ou ricas, lembrando-as que também elas estão sujeitas ao mesmo destino final. Um paralelo pode ser traçado com as Danças Macabras, o tema artístico medieval que mostrava vários esqueletos dançando, contando a moral da verdadeira justiça que trata a todos como igual, a morte.

Curiosidades

as figuras das catrinas aparecem na obra de Diego Rivera

corpse bride

Hegemonia/Bricolage

A cultura cristã, agora hegemónica no México mas que teve de ser imposta durante a colonização da América Latina. A imposição de uma cultura raramente é passiva e neste caso – como em muitos outros – a imposição não foi absoluta, uma vez que se realizaram cedências e certas partes da cultura indígena foram absorvidas pela cultura trazida pelos europeus.

Este mecanismo é aliás, um facilitador para a conversão, pois ao invés de violentar completamente uma crença milenar, tenta suavizar a troca. Os intervenientes da cultura anterior ficam também satisfeitos pois têm uma maneira de se diferenciar e continuar a atacar a cultura imposta, através das suas práticas antigas.

O Dia de Los Muertos expressa bem o cruzamento entre o que eram os ritos antigos de oferta de flores e caveiras dos inimigos à Deusa dos Mortes, como símbolos de Morte e Renascimento e as celebrações cristãs de lembrança dos mortos.

C/ CAMARO
Informação técnica 
Carro (vintage muscle car)
1966
Estados Unidos da América

Razões da escolha

Uma vez ouvi esta música, dos Kings of Leon:
She look so cool in her new CamaroIt’s black as coal and it goes boy, go go goI brought my fight next to her CamaroAnd when I fire on a smile then she blows, she blowsI’m makin eyes through my sharp sunglassesShe’s such a brat now I’m packin her cigarettesI guess I’ll take off these great sunglassesIt makes her look me in the eye before she’s taken awaySo cool in her new CamaroIt’s black as coal and it goes boy, go go goShe looks so cool in that new CamaroSo black as coal and it goes, no it go go goShe look so cool in her new CamaroIt’s black as coal and it goes boy, go go goI brought my fight next to her CamaroAnd when I fire on a smile then she blows, she blowsShe blows, she blows 
Se juntar à música o filme Gran Torino, do realizador e actor Clint Eastwood e o prazer de conduzir, tenho as razões pelo meu amor a vintage muscle cars.


Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal
O mito e culto da máquina tem a sua representação cultural máxima no movimento Futurista, que exaltava os valores do novo, da violência, velocidade e até da guerra, como grande renovadora das sociedades. Tiveram influência nas artes plásticas, na literatura e também no design. É do manifesto futurista que vem a famosa exclamação:
“Nós afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor, que correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia. “

Ainda mais que um movimento artístico, sobrevive esse mito e admiração pelo automóvel. Segundo Lewis Mumford, no livro Le Mythe De La Machine, o automável é o objecto de desejo democratizado. É como um pedaço de liberdade individual entregue sob a forma de um cubículo de quatro rodas. Mas porquê liberdade? Em parte, porque nos expomos deliberadamente - através da velocidade proporcionada pelo automável – a um perigo e tensão que de outro modo não alcançaríamos. E podermos colocar-nos nessa posição é uma tomada de posição. Ou decidirmos deixar-nos levar por ela, uma libertação corporal. A velocidade transforma-nos, porque ultrapassa as limitações do tempo e espaço.
Sociologicamente, o automóvel pode também marcar distinções de classe ou permitir que se interpretem novos papéis sociais atrás da máscara que é o carro.  De qualquer modo, a posse de um automóvel é lida como simbólica, positiva ou negativamente. No seio da sociedade de consumo, será um dos bens mais preciosos, símbolo da emancipação individual e desejo colectivo.



Curiosidades
O Camaro pode ser também classificado de “pony”, denominação para os carros que inspiraram nas linhas do Ford Mustang.

C/ CAMARO

Informação técnica 

Carro (vintage muscle car)

1966

Estados Unidos da América

Razões da escolha

Uma vez ouvi esta música, dos Kings of Leon:

She look so cool in her new Camaro
It’s black as coal and it goes boy, go go go
I brought my fight next to her Camaro
And when I fire on a smile then she blows, she blows

I’m makin eyes through my sharp sunglasses
She’s such a brat now I’m packin her cigarettes
I guess I’ll take off these great sunglasses
It makes her look me in the eye before she’s taken away

So cool in her new Camaro
It’s black as coal and it goes boy, go go go
She looks so cool in that new Camaro
So black as coal and it goes, no it go go go

She look so cool in her new Camaro
It’s black as coal and it goes boy, go go go
I brought my fight next to her Camaro
And when I fire on a smile then she blows, she blows
She blows, she blows

Se juntar à música o filme Gran Torino, do realizador e actor Clint Eastwood e o prazer de conduzir, tenho as razões pelo meu amor a vintage muscle cars.

Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

O mito e culto da máquina tem a sua representação cultural máxima no movimento Futurista, que exaltava os valores do novo, da violência, velocidade e até da guerra, como grande renovadora das sociedades. Tiveram influência nas artes plásticas, na literatura e também no design. É do manifesto futurista que vem a famosa exclamação:

Nós afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor, que correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.

Ainda mais que um movimento artístico, sobrevive esse mito e admiração pelo automóvel. Segundo Lewis Mumford, no livro Le Mythe De La Machine, o automável é o objecto de desejo democratizado. É como um pedaço de liberdade individual entregue sob a forma de um cubículo de quatro rodas. Mas porquê liberdade? Em parte, porque nos expomos deliberadamente - através da velocidade proporcionada pelo automável – a um perigo e tensão que de outro modo não alcançaríamos. E podermos colocar-nos nessa posição é uma tomada de posição. Ou decidirmos deixar-nos levar por ela, uma libertação corporal. A velocidade transforma-nos, porque ultrapassa as limitações do tempo e espaço.

Sociologicamente, o automóvel pode também marcar distinções de classe ou permitir que se interpretem novos papéis sociais atrás da máscara que é o carro. De qualquer modo, a posse de um automóvel é lida como simbólica, positiva ou negativamente. No seio da sociedade de consumo, será um dos bens mais preciosos, símbolo da emancipação individual e desejo colectivo.


Curiosidades

O Camaro pode ser também classificado de “pony”, denominação para os carros que inspiraram nas linhas do Ford Mustang.

F/ FLAVIN
Informação técnica 
Instalação/ Escultura
Lâmpadas fluorescentes
2008
Dan Flavin (1933-1996)
Razões da escolha
Fascinam-me as possibilidades do abstracto que Flavin explora com a luz, uma coisa aparentemente tão simples e minimal mas que é extremamente complexa (a luz branca contém todas as cores, por exemplo). A luz é uma coisa extremamente rápida e ao mesmo tempo parece imóvel e plácida.
As lâmpadas são coisas que todos temos e conhecemos, objectos banais e que passam quase despercebidos no dia-a-dia, a menos que falhem. Flavin descontextualiza-os, aplica-os a novas superfícies, em novos ângulos. Interessa-me pois parece seguir a tradição do ready-made de Duchamp refinando-o e depurando-o ainda mais e tornando-o mais inusitado. As obras de Flavin não precisam de uma iluminação especial, elas existem para além de tudo porque são feitas de luz.
Fundamentação teórica
What has art been for me? In the past, I have known it as a sequence of implicit decisions to combine traditions of painting and sculpture in architecture with acts of electric light defining space…”
Dan Flavin, 1965
Interveniente do movimento “new sculpture” e influenciado pelo construtivismo russo, destacou-se dos artistas minimalistas da sua época por rapidamente compreender e incorporar nas suas obras a importância do contexto em que estas eram apresentadas – desenhava as suas obras como site-specifics e criava uma lista de regras/guidelines que teriam de ser respeitadas para as colocar num outro lugar.
Porém, para além destas preocupações com a localização física, encontram-se no trabalho de Flavin também preocupações sobre o espaço como uma construcção conceptual e fenomenológica. Ele reconheceu na luz fluorescente o melhor veículo para as suas pretensões, pois, segundo o mesmo, a luz fluorescente é tão fluída que quase trai a sua presença física, estando por vezes próxima da transparência. A luz ultrapassa as barreira de molduras e pedestais, convenções de museu para as obras de arte. As obras de Flavin valorizam o museu em si, o espaço de cada sala, ao invés de as desprezar como meros contentores de peças.
A raiz da atitude de Flavin pode-se encontrar nos trabalhos Dadaístas, no questionamento da arte e na tradição pós-modernista de abolição de preconceitos e sistemas instituídos do mundo da Arte.

Curiosidades
Genesis 1:1-4
1 First God made heaven & earth 2 The earth was without form and void, and darkness was upon the face of the deep; and the Spirit of God was moving over the face of the waters. 3 And God said, “Let there be light”; and there was light. 4 And God saw that the light was good; and God separated the light from the darkness. 

F/ FLAVIN

Informação técnica 

Instalação/ Escultura

Lâmpadas fluorescentes

2008

Dan Flavin (1933-1996)

Razões da escolha

Fascinam-me as possibilidades do abstracto que Flavin explora com a luz, uma coisa aparentemente tão simples e minimal mas que é extremamente complexa (a luz branca contém todas as cores, por exemplo). A luz é uma coisa extremamente rápida e ao mesmo tempo parece imóvel e plácida.

As lâmpadas são coisas que todos temos e conhecemos, objectos banais e que passam quase despercebidos no dia-a-dia, a menos que falhem. Flavin descontextualiza-os, aplica-os a novas superfícies, em novos ângulos. Interessa-me pois parece seguir a tradição do ready-made de Duchamp refinando-o e depurando-o ainda mais e tornando-o mais inusitado. As obras de Flavin não precisam de uma iluminação especial, elas existem para além de tudo porque são feitas de luz.

Fundamentação teórica

What has art been for me? In the past, I have known it as a sequence of implicit decisions to combine traditions of painting and sculpture in architecture with acts of electric light defining space…”

Dan Flavin, 1965

Interveniente do movimento “new sculpture” e influenciado pelo construtivismo russo, destacou-se dos artistas minimalistas da sua época por rapidamente compreender e incorporar nas suas obras a importância do contexto em que estas eram apresentadas – desenhava as suas obras como site-specifics e criava uma lista de regras/guidelines que teriam de ser respeitadas para as colocar num outro lugar.

Porém, para além destas preocupações com a localização física, encontram-se no trabalho de Flavin também preocupações sobre o espaço como uma construcção conceptual e fenomenológica. Ele reconheceu na luz fluorescente o melhor veículo para as suas pretensões, pois, segundo o mesmo, a luz fluorescente é tão fluída que quase trai a sua presença física, estando por vezes próxima da transparência. A luz ultrapassa as barreira de molduras e pedestais, convenções de museu para as obras de arte. As obras de Flavin valorizam o museu em si, o espaço de cada sala, ao invés de as desprezar como meros contentores de peças.

A raiz da atitude de Flavin pode-se encontrar nos trabalhos Dadaístas, no questionamento da arte e na tradição pós-modernista de abolição de preconceitos e sistemas instituídos do mundo da Arte.

Curiosidades

Genesis 1:1-4

1 First God made heaven & earth 2 The earth was without form and void, and darkness was upon the face of the deep; and the Spirit of God was moving over the face of the waters. 3 And God said, “Let there be light”; and there was light. 4 And God saw that the light was good; and God separated the light from the darkness. 

E/ EX-VOTOS

Informação técnica 
Retábulos pintados ou pequenas esculturas
Remonta aos fenícios


Razões da escolha

Estudei num ex-colégio de freiras desde os cinco aos onze anos e foi uma experiência que me marcou bastante. Ao lado do colégio existe uma capela que se liga lateralmente a este e algumas vezes por ano à entrada vendiam-se umas figuras de cera. Essas estátuas de cera representavam pequenos bebés ou crianças e partes do corpo: pés, mãos, braços, cabeças e troncos. Lembro-me que essas peças me intrigaram durante muito tempo até mesmo de perceber o seu significado e utilidade e desde aí fazem parte da minha cultura visual.


Fundamentação teórica

Qualquer objecto tem o potencial de se tornar um símbolo.
Os espiões americanos , na altura da Guerra Fria, usavam um pedaço de cartão que rasgavam ao meio para entregar a dois indivíduos que se deviam encontrar mais tarde. Cada um levava uma das metades e essa metade era a palavra-chave: um rasgão, na sua complexidade, geralmente encontra apenas um par. Esta prática remonta aos gregos. Quando celebravam um contracto, partiam uma peça de barro e guardavam uma metade. As metades só se identificariam uma com a outra e eram símbolo de que a união tinha sido feita. Cada uma dessas metades chamava-se symbolla, do verbo symballein, juntar. Os símbolos existem na linguagem e são as ideias que unem o que chamamos de cultura.
Qualquer objecto tem o potencial de ser um símbolo, uma ligação. Os ex-votos são o símbolo de uma promessa feita a uma entidade divina, representam esse contracto, a ligação.
Os contractos são os pedidos de protecção ou de cura. E o ex-voto simboliza a sua realização. Normalmente a forma do ex-voto relaciona-se com o pedido. Se o pedido for de cura de uma doença numa determinada parte do corpo e se a pessoa for curada, na oferenda pode-se ver representada essa parte do corpo, pintada num retábulo ou esculpida. Nas comunidades de pescadores existem também ex-votos relacionados com o regresso a salvo do mar, assumindo a oferenda motivos marítimos, por exemplo a forma de um barco. Também é comum encontrarem-se inscrições de agradecimento.
Esta prática de trocas remonta a, pelo menos, a sociedade fenícia e é observada em religiões pré-islâmicas africanas, tradições asiáticas, cultos europeus e americanos, para onde foi levada na época da colonização portuguesa e espanhola.

High and Low Classes
O tipo de ex-voto – retábulo ou escultura de cera – distingue as classes mais altas das mais baixas. A distinção de nível formal tem a ver com o poder económico: é mais caro mandar fazer um retábulo que comprar uma figura de cera que é reproduzida a partir de um molde que criou e criará centenas de outras figuras idênticas. Também a duração de um retábulo é maior que a de uma figura de cera, o símbolo sobrevive durante mais tempo.

E/ EX-VOTOS

Informação técnica 

Retábulos pintados ou pequenas esculturas

Remonta aos fenícios

Razões da escolha

Estudei num ex-colégio de freiras desde os cinco aos onze anos e foi uma experiência que me marcou bastante. Ao lado do colégio existe uma capela que se liga lateralmente a este e algumas vezes por ano à entrada vendiam-se umas figuras de cera. Essas estátuas de cera representavam pequenos bebés ou crianças e partes do corpo: pés, mãos, braços, cabeças e troncos. Lembro-me que essas peças me intrigaram durante muito tempo até mesmo de perceber o seu significado e utilidade e desde aí fazem parte da minha cultura visual.

Fundamentação teórica

Qualquer objecto tem o potencial de se tornar um símbolo.

Os espiões americanos , na altura da Guerra Fria, usavam um pedaço de cartão que rasgavam ao meio para entregar a dois indivíduos que se deviam encontrar mais tarde. Cada um levava uma das metades e essa metade era a palavra-chave: um rasgão, na sua complexidade, geralmente encontra apenas um par. Esta prática remonta aos gregos. Quando celebravam um contracto, partiam uma peça de barro e guardavam uma metade. As metades só se identificariam uma com a outra e eram símbolo de que a união tinha sido feita. Cada uma dessas metades chamava-se symbolla, do verbo symballein, juntar. Os símbolos existem na linguagem e são as ideias que unem o que chamamos de cultura.

Qualquer objecto tem o potencial de ser um símbolo, uma ligação. Os ex-votos são o símbolo de uma promessa feita a uma entidade divina, representam esse contracto, a ligação.

Os contractos são os pedidos de protecção ou de cura. E o ex-voto simboliza a sua realização. Normalmente a forma do ex-voto relaciona-se com o pedido. Se o pedido for de cura de uma doença numa determinada parte do corpo e se a pessoa for curada, na oferenda pode-se ver representada essa parte do corpo, pintada num retábulo ou esculpida. Nas comunidades de pescadores existem também ex-votos relacionados com o regresso a salvo do mar, assumindo a oferenda motivos marítimos, por exemplo a forma de um barco. Também é comum encontrarem-se inscrições de agradecimento.

Esta prática de trocas remonta a, pelo menos, a sociedade fenícia e é observada em religiões pré-islâmicas africanas, tradições asiáticas, cultos europeus e americanos, para onde foi levada na época da colonização portuguesa e espanhola.

High and Low Classes

O tipo de ex-voto – retábulo ou escultura de cera – distingue as classes mais altas das mais baixas. A distinção de nível formal tem a ver com o poder económico: é mais caro mandar fazer um retábulo que comprar uma figura de cera que é reproduzida a partir de um molde que criou e criará centenas de outras figuras idênticas. Também a duração de um retábulo é maior que a de uma figura de cera, o símbolo sobrevive durante mais tempo.

G/ GAIMAN & MCKEAN
Informação técnica 
Graphic Novel
GAIMAN, Neil et McKEAN, Dave “The Comical Tragedy or Tragical Comedy of Mr. Punch”
London, 2006, Bloomsbury Publishing
Razões da escolha
Sou leitora assídua das graphic novels escritas por Neil Gaiman e disfruto especialmente quando as imagens são criadas pelo Dave McKean, é a junção perfeita para dar forma a um universo peculiar.
Sumário
A graphic novel fala sobre a passagem da infância para a vida adulta e fá-lo contando a história de um rapaz que vai passar o verão a casa dos avós em Porthsmouth, uma cidade do litoral da Inglaterra. Enquanto está lá vai descobrindo histórias sobre a sua família, compreendendo-as através de um teatro de marionetas tradicional e violento – Judy e Mr. Punch.
A atmosfera das imagens é sombria e as experiências e memórias do jovem protagonista também.
Fundamentação teórica
Existe uma beleza estranha nas ilustrações de McKean, turvas, distorcidas, escuras e por vezes macabras. Os românticos, por exemplo na pintura dos pré-rafaelitas, já experienciávam plenamente esse gosto pelo macabro, que se opunha à Beleza idealizada dos classicistas. Era a exaltação da estética do feio e do grotesco. O romantismo não tem problema em cantar os lugares como cemitérios e campos de batalha e de expôr a crueldade da vida. No livro Mr. Punch também a psique atormentada do protagonista surge sob a forma de imagens distocidas e a representação da deficiência física do seu tio-avô não se tenta minimamente esconder, pelo contrário, ela é parte fulcral da história, a exploração da fealdade e fraqueza.
Muito frequentemente ao longo do livro é também o uso de fotografia manipulada para veicular a ideia de memória ou sonho. Mais frequentemente é utilizado desenho para descrever acções na narrativa que ocorrem no tempo presente do que, como seria de esperar, a fotografia. A fotografia opõe-se ao real palpável, funciona como parte do material mental, uma construcção, nunca totalmente credível e muitas vezes deformada, tal como a nossa própria memória. Há até quem diga que a fotografia não é uma forma de nos recordarmos, mas antes um modo de esquecermos, transferindo a nossa memória para a película.
Curiosidades
A peça Punch and Judy deriva de um teatro de marionetas italiano que foi posteriormente trazido para Itália.

G/ GAIMAN & MCKEAN

Informação técnica 

Graphic Novel

GAIMAN, Neil et McKEAN, Dave “The Comical Tragedy or Tragical Comedy of Mr. Punch”

London, 2006, Bloomsbury Publishing

Razões da escolha

Sou leitora assídua das graphic novels escritas por Neil Gaiman e disfruto especialmente quando as imagens são criadas pelo Dave McKean, é a junção perfeita para dar forma a um universo peculiar.

Sumário

A graphic novel fala sobre a passagem da infância para a vida adulta e fá-lo contando a história de um rapaz que vai passar o verão a casa dos avós em Porthsmouth, uma cidade do litoral da Inglaterra. Enquanto está lá vai descobrindo histórias sobre a sua família, compreendendo-as através de um teatro de marionetas tradicional e violento – Judy e Mr. Punch.

A atmosfera das imagens é sombria e as experiências e memórias do jovem protagonista também.

Fundamentação teórica

Existe uma beleza estranha nas ilustrações de McKean, turvas, distorcidas, escuras e por vezes macabras. Os românticos, por exemplo na pintura dos pré-rafaelitas, já experienciávam plenamente esse gosto pelo macabro, que se opunha à Beleza idealizada dos classicistas. Era a exaltação da estética do feio e do grotesco. O romantismo não tem problema em cantar os lugares como cemitérios e campos de batalha e de expôr a crueldade da vida. No livro Mr. Punch também a psique atormentada do protagonista surge sob a forma de imagens distocidas e a representação da deficiência física do seu tio-avô não se tenta minimamente esconder, pelo contrário, ela é parte fulcral da história, a exploração da fealdade e fraqueza.

Muito frequentemente ao longo do livro é também o uso de fotografia manipulada para veicular a ideia de memória ou sonho. Mais frequentemente é utilizado desenho para descrever acções na narrativa que ocorrem no tempo presente do que, como seria de esperar, a fotografia. A fotografia opõe-se ao real palpável, funciona como parte do material mental, uma construcção, nunca totalmente credível e muitas vezes deformada, tal como a nossa própria memória. Há até quem diga que a fotografia não é uma forma de nos recordarmos, mas antes um modo de esquecermos, transferindo a nossa memória para a película.

Curiosidades

A peça Punch and Judy deriva de um teatro de marionetas italiano que foi posteriormente trazido para Itália.

H/ HOW TO
Razões da escolha
Como estudante de design, acho muito interessantes os métodos visuais de síntese e explicação do mundo através da imagem. Assim, as infografias, desde esquemas mais comuns como instrucções de montagem de um brinquedo até a um desenho em perspectiva de explosão dos componentes de um avião constituem para mim objectos de interesse, pela sua tentativa de informar e clariicar o mais possível universalmente. No fundo, é uma tentativa de reunir todas as línguas do mundo numa só, um Esperanto visual.
Fundamentação teórica
A nossa vida está actualmente rodeada de comunicação visual, desde embalagens de iogurte a formulários das Finanças, jornais e sinais de trânsito. E é uma teia de comunicação complexa. Não se trata apenas da aparência das coisas mas do seu significado e lógica internas. Cada elemento forma um significado dentro da linguagem visual.
Numa comunidade global cada vez mais naturalizada com a tecnologia – metros, automóveis, escovas-dos-dentes eléctricas, medicamentos, electrodomésticos, Bimby’s, formulários burocráticos, baterias e pilhas e pilhas recarregáveis, móveis do IKEA – precisamos de alguma ajuda para desembalar, montar, pôr a funcionar e programar muitos dos objectos que nos parecem essenciais para a vida actual. E aí entram as instrucções. E porque não escritas? No mundo globalizado os produtos são enviados para vários pontos do globo e espera-se que visualmente sejam mais facilmente compreendidas por todos.
Alguns objectos tentam que a sua forma indique mais facilmente o modo de usar, mas muitas vezes isso não é suficiente. No caso dos sinais de trânsito, é mesmo necessário que a linguagem visual esteja presente e seja a mesma para todos, por muito complexa que possa ser.
Mas estas imagens ultrapassam o carácter meramente utilitário. Podemos colocá-las ao lado da banda-desenhada ou das imagens de ilustração científica, como exemplos de “low art”.
Ainda que achemos a nossa vida como extremamente complexa devido à introdução das enormes quantidades de tecnologia, podemos encontrar a intenção de imagens com instrucções em sociedades tão antigas e aparentemente “simples” como a que deixou as pinturas rupestres de Altamira há cerca de 20.000 anos.
Na Turquia encontra-se uma das indicações mais antigas e inequívocas já encontradas: no pavimento está desenhado o pé que aponta para a cara de uma mulher; indica claramente a direcção para um bordel.
Com o Renascimento as técnicas de representação (perspectiva) e a imprensa tornaram as representações diagramáticas e instrutivas ainda mais ricas, mostrando cortes em habitações que deixavam ver o seu recheio e vistas de explosão/desenho expandido da composição de objectos.
Mas foi só mais tarde, durante a Revolução Industrial, que os primeiros manuais saíram a acompanhar a venda de máquinas, nomeadamente em máquinas de costura e de escrever.
Com a Segunda Guerra Mundial e a necessidade de ensinar a muitos jovens o manejo de máquinas de guerra surgiu o filme de instrucções, desenhos animados. Nos Estados Unidos o grande produtor destes filmes era a companhia de Walt Disney. O design de instrucções retirou muita da sua linguagem dos desenhos animados e das BD.
A vida (pós-)moderna é um contínuo exercício de inteligência e descodificação.

H/ HOW TO

Razões da escolha

Como estudante de design, acho muito interessantes os métodos visuais de síntese e explicação do mundo através da imagem. Assim, as infografias, desde esquemas mais comuns como instrucções de montagem de um brinquedo até a um desenho em perspectiva de explosão dos componentes de um avião constituem para mim objectos de interesse, pela sua tentativa de informar e clariicar o mais possível universalmente. No fundo, é uma tentativa de reunir todas as línguas do mundo numa só, um Esperanto visual.

Fundamentação teórica

A nossa vida está actualmente rodeada de comunicação visual, desde embalagens de iogurte a formulários das Finanças, jornais e sinais de trânsito. E é uma teia de comunicação complexa. Não se trata apenas da aparência das coisas mas do seu significado e lógica internas. Cada elemento forma um significado dentro da linguagem visual.

Numa comunidade global cada vez mais naturalizada com a tecnologia – metros, automóveis, escovas-dos-dentes eléctricas, medicamentos, electrodomésticos, Bimby’s, formulários burocráticos, baterias e pilhas e pilhas recarregáveis, móveis do IKEA – precisamos de alguma ajuda para desembalar, montar, pôr a funcionar e programar muitos dos objectos que nos parecem essenciais para a vida actual. E aí entram as instrucções. E porque não escritas? No mundo globalizado os produtos são enviados para vários pontos do globo e espera-se que visualmente sejam mais facilmente compreendidas por todos.

Alguns objectos tentam que a sua forma indique mais facilmente o modo de usar, mas muitas vezes isso não é suficiente. No caso dos sinais de trânsito, é mesmo necessário que a linguagem visual esteja presente e seja a mesma para todos, por muito complexa que possa ser.

Mas estas imagens ultrapassam o carácter meramente utilitário. Podemos colocá-las ao lado da banda-desenhada ou das imagens de ilustração científica, como exemplos de “low art”.

Ainda que achemos a nossa vida como extremamente complexa devido à introdução das enormes quantidades de tecnologia, podemos encontrar a intenção de imagens com instrucções em sociedades tão antigas e aparentemente “simples” como a que deixou as pinturas rupestres de Altamira há cerca de 20.000 anos.

Na Turquia encontra-se uma das indicações mais antigas e inequívocas já encontradas: no pavimento está desenhado o pé que aponta para a cara de uma mulher; indica claramente a direcção para um bordel.

Com o Renascimento as técnicas de representação (perspectiva) e a imprensa tornaram as representações diagramáticas e instrutivas ainda mais ricas, mostrando cortes em habitações que deixavam ver o seu recheio e vistas de explosão/desenho expandido da composição de objectos.

Mas foi só mais tarde, durante a Revolução Industrial, que os primeiros manuais saíram a acompanhar a venda de máquinas, nomeadamente em máquinas de costura e de escrever.

Com a Segunda Guerra Mundial e a necessidade de ensinar a muitos jovens o manejo de máquinas de guerra surgiu o filme de instrucções, desenhos animados. Nos Estados Unidos o grande produtor destes filmes era a companhia de Walt Disney. O design de instrucções retirou muita da sua linguagem dos desenhos animados e das BD.

A vida (pós-)moderna é um contínuo exercício de inteligência e descodificação.

I/ I CAN HAZ?
Razões da escolha
É a internet, está em todo lado, como é que eu podia ignorar a sua cultura?
Até para a vida real a vejo transportada.
Fundamentação teórica
A palavra meme designa uma ideia que é passada de pessoa para pessoa dentro de uma determinada cultura. A palavra vem da junção de “gene” com o francês “même” (“mesmo”) e, analogamente com os gentes que transmitem informações biológicas, os memes veiculam ideias.
E tal como os genes, os memes podem desparecer, sobreviver ou sofrer mutações.
O contexto do surgimento do conceito de meme remonta a 1904, no trabalho do bólogo alemãp Richard Semon que introduziu a noção de evolução social, Mais tarde, em 1976, o termo é tornado a aplicar por Dawkins no seu conhecido livro The Selfish Gene, para explicar o comportamento humano e a evolução cultural. As características fundamentais do meme são a rua replicabilidade e transmissão. Parece então natural que o conceito tenha o seu expoente máximo na Internet, terreno óptimo para a transmissão e repetição da comunicação.
Na Internet os memes formam-se a partir de diversos assuntos, desde obras literárias a assuntos da actualidade do mundo “offline”. Num contexto mais restrito, são entendidos como a repetição e adaptação de uma ideia, normalmente uma piada. Para que um meme seja identificado, este tem de se identificar visual e conceptualmente com as suas réplicas. Muitos memes acabam por passar do ecrã para a linguagem do dia-a-dia. Acabam também por se fechar cada vez mais sobre si, numa linguagem acessível apenas aos já iniciados e que só fazem sentido criando uma série de ligações a outros memes existentes. É como se a Internet tivesse acelerado a nossa capacidade de criar ligações mentais ao mesmo tempo que providencia essas ligações para informações.
Alguns dos memes mais conhecidos da Internet são os chamados “Demotivational Posters” e os “LolCats”. Mas fora da Internet os memes já existiam com algum esplendor, muito graças à televisão e ao cinema, que criavam uma plataforma capaz de transmitir uma mesma ideia a várias pessoas. Citações de Star Wars e cumprimentos do StarTrek são situações identificáveis como memes culturais. Mas a capacidade de, individualmente, moldar e voltar a passar essas ideias estava ainda muito aquém daquilo a que podemos ter acesso hoje.

I/ I CAN HAZ?

Razões da escolha

É a internet, está em todo lado, como é que eu podia ignorar a sua cultura?

Até para a vida real a vejo transportada.

Fundamentação teórica

A palavra meme designa uma ideia que é passada de pessoa para pessoa dentro de uma determinada cultura. A palavra vem da junção de “gene” com o francês “même” (“mesmo”) e, analogamente com os gentes que transmitem informações biológicas, os memes veiculam ideias.

E tal como os genes, os memes podem desparecer, sobreviver ou sofrer mutações.

O contexto do surgimento do conceito de meme remonta a 1904, no trabalho do bólogo alemãp Richard Semon que introduziu a noção de evolução social, Mais tarde, em 1976, o termo é tornado a aplicar por Dawkins no seu conhecido livro The Selfish Gene, para explicar o comportamento humano e a evolução cultural. As características fundamentais do meme são a rua replicabilidade e transmissão. Parece então natural que o conceito tenha o seu expoente máximo na Internet, terreno óptimo para a transmissão e repetição da comunicação.

Na Internet os memes formam-se a partir de diversos assuntos, desde obras literárias a assuntos da actualidade do mundo “offline”. Num contexto mais restrito, são entendidos como a repetição e adaptação de uma ideia, normalmente uma piada. Para que um meme seja identificado, este tem de se identificar visual e conceptualmente com as suas réplicas. Muitos memes acabam por passar do ecrã para a linguagem do dia-a-dia. Acabam também por se fechar cada vez mais sobre si, numa linguagem acessível apenas aos já iniciados e que só fazem sentido criando uma série de ligações a outros memes existentes. É como se a Internet tivesse acelerado a nossa capacidade de criar ligações mentais ao mesmo tempo que providencia essas ligações para informações.

Alguns dos memes mais conhecidos da Internet são os chamados “Demotivational Posters” e os “LolCats”. Mas fora da Internet os memes já existiam com algum esplendor, muito graças à televisão e ao cinema, que criavam uma plataforma capaz de transmitir uma mesma ideia a várias pessoas. Citações de Star Wars e cumprimentos do StarTrek são situações identificáveis como memes culturais. Mas a capacidade de, individualmente, moldar e voltar a passar essas ideias estava ainda muito aquém daquilo a que podemos ter acesso hoje.

J/ JACK, SAMURAI JACK
Série de animação - televisão/Cartoon Network
Estados Unidos
criada por Genndy Tartakovsky
2001 - 2004 (4 séries)
Do mesmo criador de  Dexter’s Laboratory, outra série de animação que de algum modo também marcou a minha pré-adolescência, Samurai Jack foi para mim uma surpresa neste mundo dos desenhos animados. Numa altura em que os meus gostos televisivos estavam a mudar, esta foi a série que me ajudou a perceber que a animação pode ser mais interessante que uma série de movimentos coloridos e sonoplastia histérica reservada a crianças.
 Aliás, as séries de Samurai Jack não podiam estar mais longe disso.
Marcadas por uma sonoplastia discreta mas eficaz - existem episódios extremamente silenciosos, quase contemplativos - e um artwork bastante refinado - com a utilização de paletas cromáticas inteligentes e por vezes pouco saturadas e baseadas em ilustrações acrílicas - as séries de Samurai Jack souberam criar o paradigma da animação mais comercial, do Cartoon Network, e foram até reposicionadas como entretenimento para adultos, em 2008.
A narrativa da série baseia-se no antigo e recorrente mito da luta do bem contra o mal. A série começa no Japão feudal, sendo o príncipe Jack quem encarna o bem e Aku, o demónio-dragão, a personagem que representa o mal. 
No entanto, em vez de partir para clichés relacionados com orientalismos na representação pictórica e no desenvolvimento da história, a série aposta num eclectismo a nível de cenários, situações e personagens (desde um escocês com mudanças de humor bruscas ao próprio Minotauro).


O mundo de Jack é um mundo onde a tecnologia se tornou tão avançada que por vezes se confunde com magia ( um pouco como a terceira lei enunciada pelo autor Arthur C. Clarke “Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic.”). Coabitando com este mundo altamente avançado existem figuras mitológicas/divinas como Odin ou Zeus.
As séries foram premiadas com cinco prémios Emmy e foram criadas adaptações para jogos e livros de banda-desenhada. Existem também muitas criações - montagens, vídeos, ilustrações - à volta da série feitas por fãs e partilhas em redes como o deviantart.

J/ JACK, SAMURAI JACK

Série de animação - televisão/Cartoon Network

Estados Unidos

criada por Genndy Tartakovsky

2001 - 2004 (4 séries)

Do mesmo criador de  Dexter’s Laboratory, outra série de animação que de algum modo também marcou a minha pré-adolescência, Samurai Jack foi para mim uma surpresa neste mundo dos desenhos animados. Numa altura em que os meus gostos televisivos estavam a mudar, esta foi a série que me ajudou a perceber que a animação pode ser mais interessante que uma série de movimentos coloridos e sonoplastia histérica reservada a crianças.

 Aliás, as séries de Samurai Jack não podiam estar mais longe disso.

Marcadas por uma sonoplastia discreta mas eficaz - existem episódios extremamente silenciosos, quase contemplativos - e um artwork bastante refinado - com a utilização de paletas cromáticas inteligentes e por vezes pouco saturadas e baseadas em ilustrações acrílicas - as séries de Samurai Jack souberam criar o paradigma da animação mais comercial, do Cartoon Network, e foram até reposicionadas como entretenimento para adultos, em 2008.

A narrativa da série baseia-se no antigo e recorrente mito da luta do bem contra o mal. A série começa no Japão feudal, sendo o príncipe Jack quem encarna o bem e Aku, o demónio-dragão, a personagem que representa o mal.Aku and Jack 

No entanto, em vez de partir para clichés relacionados com orientalismos na representação pictórica e no desenvolvimento da história, a série aposta num eclectismo a nível de cenários, situações e personagens (desde um escocês com mudanças de humor bruscas ao próprio Minotauro).

Scottsman

Minotauro

O mundo de Jack é um mundo onde a tecnologia se tornou tão avançada que por vezes se confunde com magia ( um pouco como a terceira lei enunciada pelo autor Arthur C. Clarke “Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic.”). Coabitando com este mundo altamente avançado existem figuras mitológicas/divinas como Odin ou Zeus.

As séries foram premiadas com cinco prémios Emmy e foram criadas adaptações para jogos e livros de banda-desenhada. Existem também muitas criações - montagens, vídeos, ilustrações - à volta da série feitas por fãs e partilhas em redes como o deviantart.


A/ ANATOMY, Morbid Anatomy
Blog, Junho de 2007 – até hoje
http://morbidanatomy.blogspot.com
morbid anatomy (n)
(Medicine) the branch of medical science concerned with the study of the structure of diseased organs and tissues
 Collins English Dictionary Complete and Unabridged HarperCollins Publishers 1991, 1994, 	1998, 2000, 2003
Morbid Anatomy é também o nome de um conhecido blog, museu e pequena biblioteca em Brooklyn, Nova Iorque. São divulgados e expostos livros e catálogos, fotografias, peças de arte, taxidermia, objectos efémeros e artefactos relacionados com medicina e arte anatómica, colecções de curiosidades sobre a história de medicina, da morte, sociedade e história natural.

Razões da escolha
Recebo as actualizações deste blog há cerca de dois anos. É uma presença constante e bem-vinda, recebo cerca de duas novas mensagens de e-mail por semana, recheadas de imagens que, pelo seu teor,  me fazem pensar sobre a ideia que a sociedade que produziu aquelas imagens tinha do que eram a mente e corpo humanos. Desde ilustrações a modelos de cera a tamanho real e fotografias, lê-se naquelas imagens não só uma tentativa de comunicar com objectividade mas também qual era a ideia de objectividade/verdade vigente.

Fundamentação teórica
Maior parte das imagens deste blog/museu estão datadas dos séculos XVIII, XIX e algumas dos inícios do século XX. São imagens exploratórias mas ao mesmo tempo confiantes. Imagens médicas de outras épocas – por exemplo, iluminuras medievais – não se revestiam desta confiança; eram imagens mais frágeis, menos minuciosas e menos confiantes – do ponto de vista antropocêntrico, voltando-se frequentemente para simbologias ou preconceitos religiosos ao invés da metodologia incansável que a ciência positivista cultivou.
A ideia principal do Positivismo,  a Lei dos Três Estados,  que fala dos três estados pelos quais o Homem passa para entender a realidade, fala do terceiro estado, o Positivo, em que o Homem deixa de se perguntar “porquê?” (“porque estamos aqui?” “para que existimos?”) para se concentrar no “como?”.  As ideias de descoberta da mecânica do universo, das leis naturais e a observação como sua ferramenta principal foram o motor da criação deste tipo de imagens.
A realização e levantamento destas imagens foi metódica, com a intenção clara de documentar e catalogar fenómenos patológicos, até aí simplesmente rodeados de desprezo ou piedade ou demitidos da sua dignidade humana como aberrações.  A racionalidade pregada pelo positivismo permitiu inverter esse esquema e, quase paradoxalmente, a frieza da ciência abriu as portas mais tarde à compreensão da sociedade.
Estas são imagens funcionais. Mas ultrapassada a sua função primordial, continuam a existir e a ser preservadas. O passado, a síntese de um mundo diferente do nosso que elas agoram contêm ou a mera beleza ou aura que delas emana fazem com que as mantenhamos entre nós.
A decadência da natureza – neste caso, do nosso corpo físico – estava para Freud directamente alinhada com a morte.  Será esta exibição ousada de imagens “mórbidas” uma tentativa de ao mesmo tempo enfretarmos e aceitarmos a nossa própria mortalidade?

Reflexão pessoal
Penso que este fascínio pelas representações do corpo e das suas patologias é, por um lado, um fascínio pela capacidade técnica de reprodução, e por outro, o fascínio pela nossa própria (individual) mortalidade.  Este último aspecto, do fascínio pela mortalidade pode relaciornar-se também, quase paradoxalmente, com o desejo e a busca da imortalidade. E mais imortal que o nosso corpo são os objectos culturais que deixamos, como indivíduos e sociedade.

Curiosidades
Penso que um filme interessante que se pode relacionar com esta escolha é o Homem Elefante, de David Lynch.

A/ ANATOMY, Morbid Anatomy

Blog, Junho de 2007 – até hoje

http://morbidanatomy.blogspot.com

morbid anatomy (n)

(Medicine) the branch of medical science concerned with the study of the structure of diseased organs and tissues

Collins English Dictionary Complete and Unabridged HarperCollins Publishers 1991, 1994, 1998, 2000, 2003

Morbid Anatomy é também o nome de um conhecido blog, museu e pequena biblioteca em Brooklyn, Nova Iorque. São divulgados e expostos livros e catálogos, fotografias, peças de arte, taxidermia, objectos efémeros e artefactos relacionados com medicina e arte anatómica, colecções de curiosidades sobre a história de medicina, da morte, sociedade e história natural.

Razões da escolha

Recebo as actualizações deste blog há cerca de dois anos. É uma presença constante e bem-vinda, recebo cerca de duas novas mensagens de e-mail por semana, recheadas de imagens que, pelo seu teor, me fazem pensar sobre a ideia que a sociedade que produziu aquelas imagens tinha do que eram a mente e corpo humanos. Desde ilustrações a modelos de cera a tamanho real e fotografias, lê-se naquelas imagens não só uma tentativa de comunicar com objectividade mas também qual era a ideia de objectividade/verdade vigente.

Fundamentação teórica

Maior parte das imagens deste blog/museu estão datadas dos séculos XVIII, XIX e algumas dos inícios do século XX. São imagens exploratórias mas ao mesmo tempo confiantes. Imagens médicas de outras épocas – por exemplo, iluminuras medievais – não se revestiam desta confiança; eram imagens mais frágeis, menos minuciosas e menos confiantes – do ponto de vista antropocêntrico, voltando-se frequentemente para simbologias ou preconceitos religiosos ao invés da metodologia incansável que a ciência positivista cultivou.

A ideia principal do Positivismo, a Lei dos Três Estados, que fala dos três estados pelos quais o Homem passa para entender a realidade, fala do terceiro estado, o Positivo, em que o Homem deixa de se perguntar “porquê?” (“porque estamos aqui?” “para que existimos?”) para se concentrar no “como?”. As ideias de descoberta da mecânica do universo, das leis naturais e a observação como sua ferramenta principal foram o motor da criação deste tipo de imagens.

A realização e levantamento destas imagens foi metódica, com a intenção clara de documentar e catalogar fenómenos patológicos, até aí simplesmente rodeados de desprezo ou piedade ou demitidos da sua dignidade humana como aberrações. A racionalidade pregada pelo positivismo permitiu inverter esse esquema e, quase paradoxalmente, a frieza da ciência abriu as portas mais tarde à compreensão da sociedade.

Estas são imagens funcionais. Mas ultrapassada a sua função primordial, continuam a existir e a ser preservadas. O passado, a síntese de um mundo diferente do nosso que elas agoram contêm ou a mera beleza ou aura que delas emana fazem com que as mantenhamos entre nós.

A decadência da natureza – neste caso, do nosso corpo físico – estava para Freud directamente alinhada com a morte. Será esta exibição ousada de imagens “mórbidas” uma tentativa de ao mesmo tempo enfretarmos e aceitarmos a nossa própria mortalidade?

Reflexão pessoal

Penso que este fascínio pelas representações do corpo e das suas patologias é, por um lado, um fascínio pela capacidade técnica de reprodução, e por outro, o fascínio pela nossa própria (individual) mortalidade. Este último aspecto, do fascínio pela mortalidade pode relaciornar-se também, quase paradoxalmente, com o desejo e a busca da imortalidade. E mais imortal que o nosso corpo são os objectos culturais que deixamos, como indivíduos e sociedade.

Curiosidades

Penso que um filme interessante que se pode relacionar com esta escolha é o Homem Elefante, de David Lynch.

B/ BEARS AND WOODS

Informação técnica 
2009
Ilustração
Grafites várias sobre papel
Edinburgh

Razões da escolha
É uma ilustradora que sigo há algum tempo. Estou captivada desde a primeira vez pelo ambiente agreste, solitário e denso das suas ilustrações. A ligação sempre presente à natureza é muito importante para mim. Relacciono-a estreitamente com as obras literárias dos russos Tolstoi, Dostoievski e Gogol; ela cria no papel as atmosferas que imaginava ao ler aquelas obras.


Acerca da Lizzy
Lizzy Stewart é uma ilustradora que vive e trabalha em Edinburgo. Segundo o seu website, os seus trabalhos são inspirados principalmente pela necessidade que ela sente de contar histórias e pela cultura popular, pela música que ouve e pela cidade onde mora.

Fundamentação teórica
Ilustrar, no sentido das artes plásticas/design, é dar forma visual a uma ideia. Tradicionalmente acompanhava um texto, como no caso das iluminuras medievais, mas mais recentemente encntra-se emancipada e percorre o limbo entre o design gráfico e as artes plásticas. Em relação à sua reprodutibilidade, o design gráfico prevê quase à partida que uma obra de ilustração será uma obra de múltiplos, a partir de uma matriz. Assim, essa matriz, já destinada e pensada segundo a sua multiplicação não se comparará ao negativo de uma fotografia? E sendo assim, segndo Walter Benjamin:
"De um lado, a reprodução técnica está mais independente do original. No caso da fotografia, é capaz de ressaltar aspectos do original que escapam ao olho e são apenas passíveis de serem apreendidos por uma objetiva que se desloque livremente a fim de obter diversos ângulos de visão; graças a métodos como a ampliação ou a desaceleração, pode-se atingir a realidades ignoradas pela visão natural. Ao mesmo tempo, a técnica pode levar a reprodução de situações, onde o próprio original jamais seria encontrado. Sob a forma de fotografia ou de disco permite sobretudo a maior aproximação da obra ao espectador ou ao ouvinte."
e
"Reproduzem-se cada vez mais obras de arte, que foram feitas justamente para serem reproduzidas.Da chapa fotográfica pode-se tirar um grande número de provas; seria absurdo indagar qual delas é a autêntica.”

Por outro lado, a ilustração criada apenas para expôr ou os originais mais tarde expostos em galerias, ganham uma aura que não se encontra nas reproduções.

Reflexão pessoal
Falando mais concretamente do trabalho de Lizzy Stewart, não consigo deixar de o associar a uma outra obra. Estou a falar de Walden, Or Life In The Woods de Henry David Thoreau. O que a obra exprime por palavras, a sua ideologia profunda, parece emergir mais ou menos timidamente no trabalho desta autora. Mesmo que Lizzy nunca tenha lido a obra de Thoreau, partilham de alguns pontos comuns. Em Walden, Thoreau experimenta a vida o mais depurada e auto-suficiente possível – contruiu a sua própria cabana de madeira e viveu aí dois anos, produzindo quase tudo o que necessitava, negando o consumo daquilo que não era indispensável e outras frivolidades sociais, lendo e observando a natureza.  Um ponto que une Lizzy a Thoreau é a influência que este teve em Tolstoi, autor que por sua vez influenciou Lizzy.  Thoreau advoga a auto-suficiência e, até um certo ponto, uma espécie de retorno à natureza. As personagens e paisagens de Lizzy parecem muitas vezes um espelho das suas palavras, uma caban perdida na imensidão, rostos rudes ou grupos de trabalhadores, personagens solitários com a companhia de animais, a natureza. Enquadra-se também numa tendência pós-modernista de crítica à globalização e consumo, relevando os costumes locais e a natureza/ecologia.

Linguagem
A linguagem ilustrativa de Lizzy tem algumas influências identificáveis e transporta para o seu trabalho alguns elementos exteriores.
Uma dessas influências será Edward Gorey, através de um uso similar das grandes manchas de trama e do ambiente por vezes escuro e denso das ilustrações.

Bricolage
Retira do imaginário popular histórias e personagens de contos populares ou de obras literárias, como o Monte dos Vendavais.
Noutro dos seus trabalhos, re-interpreta fotografias antigas de comunidades indígenas da América do Norte, pintando-as por cima e transporta depois também alguns dos padrões geométricos dessas sociedades para outras das suas ilustrações.

B/ BEARS AND WOODS


Informação técnica 

2009

Ilustração

Grafites várias sobre papel

Edinburgh

Razões da escolha

É uma ilustradora que sigo há algum tempo. Estou captivada desde a primeira vez pelo ambiente agreste, solitário e denso das suas ilustrações. A ligação sempre presente à natureza é muito importante para mim. Relacciono-a estreitamente com as obras literárias dos russos Tolstoi, Dostoievski e Gogol; ela cria no papel as atmosferas que imaginava ao ler aquelas obras.

Acerca da Lizzy

Lizzy Stewart é uma ilustradora que vive e trabalha em Edinburgo. Segundo o seu website, os seus trabalhos são inspirados principalmente pela necessidade que ela sente de contar histórias e pela cultura popular, pela música que ouve e pela cidade onde mora.

Fundamentação teórica

Ilustrar, no sentido das artes plásticas/design, é dar forma visual a uma ideia. Tradicionalmente acompanhava um texto, como no caso das iluminuras medievais, mas mais recentemente encntra-se emancipada e percorre o limbo entre o design gráfico e as artes plásticas. Em relação à sua reprodutibilidade, o design gráfico prevê quase à partida que uma obra de ilustração será uma obra de múltiplos, a partir de uma matriz. Assim, essa matriz, já destinada e pensada segundo a sua multiplicação não se comparará ao negativo de uma fotografia? E sendo assim, segndo Walter Benjamin:

"De um lado, a reprodução técnica está mais independente do original. No caso da fotografia, é capaz de ressaltar aspectos do original que escapam ao olho e são apenas passíveis de serem apreendidos por uma objetiva que se desloque livremente a fim de obter diversos ângulos de visão; graças a métodos como a ampliação ou a desaceleração, pode-se atingir a realidades ignoradas pela visão natural. Ao mesmo tempo, a técnica pode levar a reprodução de situações, onde o próprio original jamais seria encontrado. Sob a forma de fotografia ou de disco permite sobretudo a maior aproximação da obra ao espectador ou ao ouvinte."

e

"Reproduzem-se cada vez mais obras de arte, que foram feitas justamente para serem reproduzidas.Da chapa fotográfica pode-se tirar um grande número de provas; seria absurdo indagar qual delas é a autêntica.”

Por outro lado, a ilustração criada apenas para expôr ou os originais mais tarde expostos em galerias, ganham uma aura que não se encontra nas reproduções.

Reflexão pessoal

Falando mais concretamente do trabalho de Lizzy Stewart, não consigo deixar de o associar a uma outra obra. Estou a falar de Walden, Or Life In The Woods de Henry David Thoreau. O que a obra exprime por palavras, a sua ideologia profunda, parece emergir mais ou menos timidamente no trabalho desta autora. Mesmo que Lizzy nunca tenha lido a obra de Thoreau, partilham de alguns pontos comuns. Em Walden, Thoreau experimenta a vida o mais depurada e auto-suficiente possível – contruiu a sua própria cabana de madeira e viveu aí dois anos, produzindo quase tudo o que necessitava, negando o consumo daquilo que não era indispensável e outras frivolidades sociais, lendo e observando a natureza. Um ponto que une Lizzy a Thoreau é a influência que este teve em Tolstoi, autor que por sua vez influenciou Lizzy. Thoreau advoga a auto-suficiência e, até um certo ponto, uma espécie de retorno à natureza. As personagens e paisagens de Lizzy parecem muitas vezes um espelho das suas palavras, uma caban perdida na imensidão, rostos rudes ou grupos de trabalhadores, personagens solitários com a companhia de animais, a natureza. Enquadra-se também numa tendência pós-modernista de crítica à globalização e consumo, relevando os costumes locais e a natureza/ecologia.

Linguagem

A linguagem ilustrativa de Lizzy tem algumas influências identificáveis e transporta para o seu trabalho alguns elementos exteriores.

Uma dessas influências será Edward Gorey, através de um uso similar das grandes manchas de trama e do ambiente por vezes escuro e denso das ilustrações.

Bricolage

Retira do imaginário popular histórias e personagens de contos populares ou de obras literárias, como o Monte dos Vendavais.

Noutro dos seus trabalhos, re-interpreta fotografias antigas de comunidades indígenas da América do Norte, pintando-as por cima e transporta depois também alguns dos padrões geométricos dessas sociedades para outras das suas ilustrações.

D/ DIA DE LOS MUERTOS

Informação técnica 
Celebração Religiosa
Actualmente: dia 1 e 2 de Novembro, México
Existe nas culturas indígenas da América do Sul desde há pelo menos 3000 anos e rituais similares ocorrem por todo o mundo.

Razões da escolha

Fui criada como católica – e praticante –, por isso assisti a várias cerimónias religiosas durante os anos. Lembro-me de fazer a visita ao cemitério no primeiro dia de Novembro e de como o dia era normalmente soturno, solene e triste. Fascinavam-me as outras celebrações da mesma religião – o cristianismo – que ocorriam em sítios como as Filipinas ou o México, que pulsavam de energia, violência e exuberância, num oposto exacto àquilo com que estava familiarizada.
Mais tarde comecei a descobrir várias referências à celebração Mexicana do Dia dos Mortos em filmes e objectos gráficos, desde posters e artwork de bandas a tatuagens.


Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

Esta celebração religiosa pode ser interpretada como um ritual de passagem do mundo terrestre para uma outra dimensão (no caso cristão, o Céu). Douglas Davies explica no livro A Brief History of Death, a visão tradicional cristã católica é a de que este mundo é apenas uma passagem, uma preparação para o seguinte. Para muitos, a morte é motivo de alegria pela vida eterna que se lhe segue.  Freud via a morte como enraízada no desejo humano de voltar à terra de onde todos saímos e através dela viver eternamente. Talvez estas duas visões não se auto-excluam e ajudem a compreender a necessidade da ritualização da morte.
Para os cristãos, celebrar a ressurreição é celebrar a vitória de Cristo sobre a Morte, vingando e aliviando finalmente a Humanidade dos sofrimentos terrenos. A ideologia, simbologia e celebrações cristãs são sempre testemunhos desse objectivo final, da transitividade por esta vida.
Os Cristãos glorificam a morte. A morte é o resultado do pecado (original) mas o pecado foi destruído por Cristo.
Do ponto de vista sociológico, os rituais de passagem são necessários para veicular a ideia de mudança individual. Há que reconhecer a inevitabilidade da morte, compreendê-la e aceitá-la. É através dos ritos funerários que os membros de uma comunidade trocam experiências e histórias sobre o significdo da vida e descobrem motivos para continuar a ter esperança nessa transcendência libertadora.
No caso mexicano, a celebração é festiva. Existe comida e bebida e muita cor. Caveiras de açucar e estatuetas de caveiras que usam flores lembram que a morte existe para todos. Estas estatuetas de caveiras que envergam vestidos elegantes e ramos de flores chamam-se Catrinas e simbolizam as pessoas elegantes, bonitas ou ricas, lembrando-as que também elas estão sujeitas ao mesmo destino final. Um paralelo pode ser traçado com as Danças Macabras, o tema artístico medieval que mostrava vários esqueletos dançando, contando a moral da verdadeira justiça que trata a todos como igual, a morte.


Curiosidades
as figuras das catrinas aparecem na obra de Diego Rivera
corpse bride

Hegemonia/Bricolage

A cultura cristã, agora hegemónica no México mas que teve de ser imposta durante a colonização da América Latina. A imposição de uma cultura raramente é passiva e neste caso – como em muitos outros – a imposição não foi absoluta, uma vez que se realizaram cedências e certas partes da cultura indígena foram absorvidas pela cultura trazida pelos europeus.
Este mecanismo é aliás, um facilitador para a conversão, pois ao invés de violentar completamente uma crença milenar, tenta suavizar a troca. Os intervenientes da cultura anterior ficam também satisfeitos pois têm uma maneira de se diferenciar e continuar a atacar a cultura imposta, através das suas práticas antigas.
O Dia de Los Muertos expressa bem o cruzamento entre o que eram os ritos antigos de oferta de flores e caveiras dos inimigos à Deusa dos Mortes, como símbolos de Morte e Renascimento e as celebrações cristãs de lembrança dos mortos.

D/ DIA DE LOS MUERTOS

Informação técnica 

Celebração Religiosa

Actualmente: dia 1 e 2 de Novembro, México

Existe nas culturas indígenas da América do Sul desde há pelo menos 3000 anos e rituais similares ocorrem por todo o mundo.

Razões da escolha

Fui criada como católica – e praticante –, por isso assisti a várias cerimónias religiosas durante os anos. Lembro-me de fazer a visita ao cemitério no primeiro dia de Novembro e de como o dia era normalmente soturno, solene e triste. Fascinavam-me as outras celebrações da mesma religião – o cristianismo – que ocorriam em sítios como as Filipinas ou o México, que pulsavam de energia, violência e exuberância, num oposto exacto àquilo com que estava familiarizada.

Mais tarde comecei a descobrir várias referências à celebração Mexicana do Dia dos Mortos em filmes e objectos gráficos, desde posters e artwork de bandas a tatuagens.

Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

Esta celebração religiosa pode ser interpretada como um ritual de passagem do mundo terrestre para uma outra dimensão (no caso cristão, o Céu). Douglas Davies explica no livro A Brief History of Death, a visão tradicional cristã católica é a de que este mundo é apenas uma passagem, uma preparação para o seguinte. Para muitos, a morte é motivo de alegria pela vida eterna que se lhe segue. Freud via a morte como enraízada no desejo humano de voltar à terra de onde todos saímos e através dela viver eternamente. Talvez estas duas visões não se auto-excluam e ajudem a compreender a necessidade da ritualização da morte.

Para os cristãos, celebrar a ressurreição é celebrar a vitória de Cristo sobre a Morte, vingando e aliviando finalmente a Humanidade dos sofrimentos terrenos. A ideologia, simbologia e celebrações cristãs são sempre testemunhos desse objectivo final, da transitividade por esta vida.

Os Cristãos glorificam a morte. A morte é o resultado do pecado (original) mas o pecado foi destruído por Cristo.

Do ponto de vista sociológico, os rituais de passagem são necessários para veicular a ideia de mudança individual. Há que reconhecer a inevitabilidade da morte, compreendê-la e aceitá-la. É através dos ritos funerários que os membros de uma comunidade trocam experiências e histórias sobre o significdo da vida e descobrem motivos para continuar a ter esperança nessa transcendência libertadora.

No caso mexicano, a celebração é festiva. Existe comida e bebida e muita cor. Caveiras de açucar e estatuetas de caveiras que usam flores lembram que a morte existe para todos. Estas estatuetas de caveiras que envergam vestidos elegantes e ramos de flores chamam-se Catrinas e simbolizam as pessoas elegantes, bonitas ou ricas, lembrando-as que também elas estão sujeitas ao mesmo destino final. Um paralelo pode ser traçado com as Danças Macabras, o tema artístico medieval que mostrava vários esqueletos dançando, contando a moral da verdadeira justiça que trata a todos como igual, a morte.

Curiosidades

as figuras das catrinas aparecem na obra de Diego Rivera

corpse bride

Hegemonia/Bricolage

A cultura cristã, agora hegemónica no México mas que teve de ser imposta durante a colonização da América Latina. A imposição de uma cultura raramente é passiva e neste caso – como em muitos outros – a imposição não foi absoluta, uma vez que se realizaram cedências e certas partes da cultura indígena foram absorvidas pela cultura trazida pelos europeus.

Este mecanismo é aliás, um facilitador para a conversão, pois ao invés de violentar completamente uma crença milenar, tenta suavizar a troca. Os intervenientes da cultura anterior ficam também satisfeitos pois têm uma maneira de se diferenciar e continuar a atacar a cultura imposta, através das suas práticas antigas.

O Dia de Los Muertos expressa bem o cruzamento entre o que eram os ritos antigos de oferta de flores e caveiras dos inimigos à Deusa dos Mortes, como símbolos de Morte e Renascimento e as celebrações cristãs de lembrança dos mortos.

C/ CAMARO
Informação técnica 
Carro (vintage muscle car)
1966
Estados Unidos da América

Razões da escolha

Uma vez ouvi esta música, dos Kings of Leon:
She look so cool in her new CamaroIt’s black as coal and it goes boy, go go goI brought my fight next to her CamaroAnd when I fire on a smile then she blows, she blowsI’m makin eyes through my sharp sunglassesShe’s such a brat now I’m packin her cigarettesI guess I’ll take off these great sunglassesIt makes her look me in the eye before she’s taken awaySo cool in her new CamaroIt’s black as coal and it goes boy, go go goShe looks so cool in that new CamaroSo black as coal and it goes, no it go go goShe look so cool in her new CamaroIt’s black as coal and it goes boy, go go goI brought my fight next to her CamaroAnd when I fire on a smile then she blows, she blowsShe blows, she blows 
Se juntar à música o filme Gran Torino, do realizador e actor Clint Eastwood e o prazer de conduzir, tenho as razões pelo meu amor a vintage muscle cars.


Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal
O mito e culto da máquina tem a sua representação cultural máxima no movimento Futurista, que exaltava os valores do novo, da violência, velocidade e até da guerra, como grande renovadora das sociedades. Tiveram influência nas artes plásticas, na literatura e também no design. É do manifesto futurista que vem a famosa exclamação:
“Nós afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor, que correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia. “

Ainda mais que um movimento artístico, sobrevive esse mito e admiração pelo automóvel. Segundo Lewis Mumford, no livro Le Mythe De La Machine, o automável é o objecto de desejo democratizado. É como um pedaço de liberdade individual entregue sob a forma de um cubículo de quatro rodas. Mas porquê liberdade? Em parte, porque nos expomos deliberadamente - através da velocidade proporcionada pelo automável – a um perigo e tensão que de outro modo não alcançaríamos. E podermos colocar-nos nessa posição é uma tomada de posição. Ou decidirmos deixar-nos levar por ela, uma libertação corporal. A velocidade transforma-nos, porque ultrapassa as limitações do tempo e espaço.
Sociologicamente, o automóvel pode também marcar distinções de classe ou permitir que se interpretem novos papéis sociais atrás da máscara que é o carro.  De qualquer modo, a posse de um automóvel é lida como simbólica, positiva ou negativamente. No seio da sociedade de consumo, será um dos bens mais preciosos, símbolo da emancipação individual e desejo colectivo.



Curiosidades
O Camaro pode ser também classificado de “pony”, denominação para os carros que inspiraram nas linhas do Ford Mustang.

C/ CAMARO

Informação técnica 

Carro (vintage muscle car)

1966

Estados Unidos da América

Razões da escolha

Uma vez ouvi esta música, dos Kings of Leon:

She look so cool in her new Camaro
It’s black as coal and it goes boy, go go go
I brought my fight next to her Camaro
And when I fire on a smile then she blows, she blows

I’m makin eyes through my sharp sunglasses
She’s such a brat now I’m packin her cigarettes
I guess I’ll take off these great sunglasses
It makes her look me in the eye before she’s taken away

So cool in her new Camaro
It’s black as coal and it goes boy, go go go
She looks so cool in that new Camaro
So black as coal and it goes, no it go go go

She look so cool in her new Camaro
It’s black as coal and it goes boy, go go go
I brought my fight next to her Camaro
And when I fire on a smile then she blows, she blows
She blows, she blows

Se juntar à música o filme Gran Torino, do realizador e actor Clint Eastwood e o prazer de conduzir, tenho as razões pelo meu amor a vintage muscle cars.

Fundamentação teórica/ Reflexão pessoal

O mito e culto da máquina tem a sua representação cultural máxima no movimento Futurista, que exaltava os valores do novo, da violência, velocidade e até da guerra, como grande renovadora das sociedades. Tiveram influência nas artes plásticas, na literatura e também no design. É do manifesto futurista que vem a famosa exclamação:

Nós afirmamos que a magnificência do mundo enriqueceu-se de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor, que correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.

Ainda mais que um movimento artístico, sobrevive esse mito e admiração pelo automóvel. Segundo Lewis Mumford, no livro Le Mythe De La Machine, o automável é o objecto de desejo democratizado. É como um pedaço de liberdade individual entregue sob a forma de um cubículo de quatro rodas. Mas porquê liberdade? Em parte, porque nos expomos deliberadamente - através da velocidade proporcionada pelo automável – a um perigo e tensão que de outro modo não alcançaríamos. E podermos colocar-nos nessa posição é uma tomada de posição. Ou decidirmos deixar-nos levar por ela, uma libertação corporal. A velocidade transforma-nos, porque ultrapassa as limitações do tempo e espaço.

Sociologicamente, o automóvel pode também marcar distinções de classe ou permitir que se interpretem novos papéis sociais atrás da máscara que é o carro. De qualquer modo, a posse de um automóvel é lida como simbólica, positiva ou negativamente. No seio da sociedade de consumo, será um dos bens mais preciosos, símbolo da emancipação individual e desejo colectivo.


Curiosidades

O Camaro pode ser também classificado de “pony”, denominação para os carros que inspiraram nas linhas do Ford Mustang.

F/ FLAVIN
Informação técnica 
Instalação/ Escultura
Lâmpadas fluorescentes
2008
Dan Flavin (1933-1996)
Razões da escolha
Fascinam-me as possibilidades do abstracto que Flavin explora com a luz, uma coisa aparentemente tão simples e minimal mas que é extremamente complexa (a luz branca contém todas as cores, por exemplo). A luz é uma coisa extremamente rápida e ao mesmo tempo parece imóvel e plácida.
As lâmpadas são coisas que todos temos e conhecemos, objectos banais e que passam quase despercebidos no dia-a-dia, a menos que falhem. Flavin descontextualiza-os, aplica-os a novas superfícies, em novos ângulos. Interessa-me pois parece seguir a tradição do ready-made de Duchamp refinando-o e depurando-o ainda mais e tornando-o mais inusitado. As obras de Flavin não precisam de uma iluminação especial, elas existem para além de tudo porque são feitas de luz.
Fundamentação teórica
What has art been for me? In the past, I have known it as a sequence of implicit decisions to combine traditions of painting and sculpture in architecture with acts of electric light defining space…”
Dan Flavin, 1965
Interveniente do movimento “new sculpture” e influenciado pelo construtivismo russo, destacou-se dos artistas minimalistas da sua época por rapidamente compreender e incorporar nas suas obras a importância do contexto em que estas eram apresentadas – desenhava as suas obras como site-specifics e criava uma lista de regras/guidelines que teriam de ser respeitadas para as colocar num outro lugar.
Porém, para além destas preocupações com a localização física, encontram-se no trabalho de Flavin também preocupações sobre o espaço como uma construcção conceptual e fenomenológica. Ele reconheceu na luz fluorescente o melhor veículo para as suas pretensões, pois, segundo o mesmo, a luz fluorescente é tão fluída que quase trai a sua presença física, estando por vezes próxima da transparência. A luz ultrapassa as barreira de molduras e pedestais, convenções de museu para as obras de arte. As obras de Flavin valorizam o museu em si, o espaço de cada sala, ao invés de as desprezar como meros contentores de peças.
A raiz da atitude de Flavin pode-se encontrar nos trabalhos Dadaístas, no questionamento da arte e na tradição pós-modernista de abolição de preconceitos e sistemas instituídos do mundo da Arte.

Curiosidades
Genesis 1:1-4
1 First God made heaven & earth 2 The earth was without form and void, and darkness was upon the face of the deep; and the Spirit of God was moving over the face of the waters. 3 And God said, “Let there be light”; and there was light. 4 And God saw that the light was good; and God separated the light from the darkness. 

F/ FLAVIN

Informação técnica 

Instalação/ Escultura

Lâmpadas fluorescentes

2008

Dan Flavin (1933-1996)

Razões da escolha

Fascinam-me as possibilidades do abstracto que Flavin explora com a luz, uma coisa aparentemente tão simples e minimal mas que é extremamente complexa (a luz branca contém todas as cores, por exemplo). A luz é uma coisa extremamente rápida e ao mesmo tempo parece imóvel e plácida.

As lâmpadas são coisas que todos temos e conhecemos, objectos banais e que passam quase despercebidos no dia-a-dia, a menos que falhem. Flavin descontextualiza-os, aplica-os a novas superfícies, em novos ângulos. Interessa-me pois parece seguir a tradição do ready-made de Duchamp refinando-o e depurando-o ainda mais e tornando-o mais inusitado. As obras de Flavin não precisam de uma iluminação especial, elas existem para além de tudo porque são feitas de luz.

Fundamentação teórica

What has art been for me? In the past, I have known it as a sequence of implicit decisions to combine traditions of painting and sculpture in architecture with acts of electric light defining space…”

Dan Flavin, 1965

Interveniente do movimento “new sculpture” e influenciado pelo construtivismo russo, destacou-se dos artistas minimalistas da sua época por rapidamente compreender e incorporar nas suas obras a importância do contexto em que estas eram apresentadas – desenhava as suas obras como site-specifics e criava uma lista de regras/guidelines que teriam de ser respeitadas para as colocar num outro lugar.

Porém, para além destas preocupações com a localização física, encontram-se no trabalho de Flavin também preocupações sobre o espaço como uma construcção conceptual e fenomenológica. Ele reconheceu na luz fluorescente o melhor veículo para as suas pretensões, pois, segundo o mesmo, a luz fluorescente é tão fluída que quase trai a sua presença física, estando por vezes próxima da transparência. A luz ultrapassa as barreira de molduras e pedestais, convenções de museu para as obras de arte. As obras de Flavin valorizam o museu em si, o espaço de cada sala, ao invés de as desprezar como meros contentores de peças.

A raiz da atitude de Flavin pode-se encontrar nos trabalhos Dadaístas, no questionamento da arte e na tradição pós-modernista de abolição de preconceitos e sistemas instituídos do mundo da Arte.

Curiosidades

Genesis 1:1-4

1 First God made heaven & earth 2 The earth was without form and void, and darkness was upon the face of the deep; and the Spirit of God was moving over the face of the waters. 3 And God said, “Let there be light”; and there was light. 4 And God saw that the light was good; and God separated the light from the darkness. 

E/ EX-VOTOS

Informação técnica 
Retábulos pintados ou pequenas esculturas
Remonta aos fenícios


Razões da escolha

Estudei num ex-colégio de freiras desde os cinco aos onze anos e foi uma experiência que me marcou bastante. Ao lado do colégio existe uma capela que se liga lateralmente a este e algumas vezes por ano à entrada vendiam-se umas figuras de cera. Essas estátuas de cera representavam pequenos bebés ou crianças e partes do corpo: pés, mãos, braços, cabeças e troncos. Lembro-me que essas peças me intrigaram durante muito tempo até mesmo de perceber o seu significado e utilidade e desde aí fazem parte da minha cultura visual.


Fundamentação teórica

Qualquer objecto tem o potencial de se tornar um símbolo.
Os espiões americanos , na altura da Guerra Fria, usavam um pedaço de cartão que rasgavam ao meio para entregar a dois indivíduos que se deviam encontrar mais tarde. Cada um levava uma das metades e essa metade era a palavra-chave: um rasgão, na sua complexidade, geralmente encontra apenas um par. Esta prática remonta aos gregos. Quando celebravam um contracto, partiam uma peça de barro e guardavam uma metade. As metades só se identificariam uma com a outra e eram símbolo de que a união tinha sido feita. Cada uma dessas metades chamava-se symbolla, do verbo symballein, juntar. Os símbolos existem na linguagem e são as ideias que unem o que chamamos de cultura.
Qualquer objecto tem o potencial de ser um símbolo, uma ligação. Os ex-votos são o símbolo de uma promessa feita a uma entidade divina, representam esse contracto, a ligação.
Os contractos são os pedidos de protecção ou de cura. E o ex-voto simboliza a sua realização. Normalmente a forma do ex-voto relaciona-se com o pedido. Se o pedido for de cura de uma doença numa determinada parte do corpo e se a pessoa for curada, na oferenda pode-se ver representada essa parte do corpo, pintada num retábulo ou esculpida. Nas comunidades de pescadores existem também ex-votos relacionados com o regresso a salvo do mar, assumindo a oferenda motivos marítimos, por exemplo a forma de um barco. Também é comum encontrarem-se inscrições de agradecimento.
Esta prática de trocas remonta a, pelo menos, a sociedade fenícia e é observada em religiões pré-islâmicas africanas, tradições asiáticas, cultos europeus e americanos, para onde foi levada na época da colonização portuguesa e espanhola.

High and Low Classes
O tipo de ex-voto – retábulo ou escultura de cera – distingue as classes mais altas das mais baixas. A distinção de nível formal tem a ver com o poder económico: é mais caro mandar fazer um retábulo que comprar uma figura de cera que é reproduzida a partir de um molde que criou e criará centenas de outras figuras idênticas. Também a duração de um retábulo é maior que a de uma figura de cera, o símbolo sobrevive durante mais tempo.

E/ EX-VOTOS

Informação técnica 

Retábulos pintados ou pequenas esculturas

Remonta aos fenícios

Razões da escolha

Estudei num ex-colégio de freiras desde os cinco aos onze anos e foi uma experiência que me marcou bastante. Ao lado do colégio existe uma capela que se liga lateralmente a este e algumas vezes por ano à entrada vendiam-se umas figuras de cera. Essas estátuas de cera representavam pequenos bebés ou crianças e partes do corpo: pés, mãos, braços, cabeças e troncos. Lembro-me que essas peças me intrigaram durante muito tempo até mesmo de perceber o seu significado e utilidade e desde aí fazem parte da minha cultura visual.

Fundamentação teórica

Qualquer objecto tem o potencial de se tornar um símbolo.

Os espiões americanos , na altura da Guerra Fria, usavam um pedaço de cartão que rasgavam ao meio para entregar a dois indivíduos que se deviam encontrar mais tarde. Cada um levava uma das metades e essa metade era a palavra-chave: um rasgão, na sua complexidade, geralmente encontra apenas um par. Esta prática remonta aos gregos. Quando celebravam um contracto, partiam uma peça de barro e guardavam uma metade. As metades só se identificariam uma com a outra e eram símbolo de que a união tinha sido feita. Cada uma dessas metades chamava-se symbolla, do verbo symballein, juntar. Os símbolos existem na linguagem e são as ideias que unem o que chamamos de cultura.

Qualquer objecto tem o potencial de ser um símbolo, uma ligação. Os ex-votos são o símbolo de uma promessa feita a uma entidade divina, representam esse contracto, a ligação.

Os contractos são os pedidos de protecção ou de cura. E o ex-voto simboliza a sua realização. Normalmente a forma do ex-voto relaciona-se com o pedido. Se o pedido for de cura de uma doença numa determinada parte do corpo e se a pessoa for curada, na oferenda pode-se ver representada essa parte do corpo, pintada num retábulo ou esculpida. Nas comunidades de pescadores existem também ex-votos relacionados com o regresso a salvo do mar, assumindo a oferenda motivos marítimos, por exemplo a forma de um barco. Também é comum encontrarem-se inscrições de agradecimento.

Esta prática de trocas remonta a, pelo menos, a sociedade fenícia e é observada em religiões pré-islâmicas africanas, tradições asiáticas, cultos europeus e americanos, para onde foi levada na época da colonização portuguesa e espanhola.

High and Low Classes

O tipo de ex-voto – retábulo ou escultura de cera – distingue as classes mais altas das mais baixas. A distinção de nível formal tem a ver com o poder económico: é mais caro mandar fazer um retábulo que comprar uma figura de cera que é reproduzida a partir de um molde que criou e criará centenas de outras figuras idênticas. Também a duração de um retábulo é maior que a de uma figura de cera, o símbolo sobrevive durante mais tempo.

G/ GAIMAN & MCKEAN
Informação técnica 
Graphic Novel
GAIMAN, Neil et McKEAN, Dave “The Comical Tragedy or Tragical Comedy of Mr. Punch”
London, 2006, Bloomsbury Publishing
Razões da escolha
Sou leitora assídua das graphic novels escritas por Neil Gaiman e disfruto especialmente quando as imagens são criadas pelo Dave McKean, é a junção perfeita para dar forma a um universo peculiar.
Sumário
A graphic novel fala sobre a passagem da infância para a vida adulta e fá-lo contando a história de um rapaz que vai passar o verão a casa dos avós em Porthsmouth, uma cidade do litoral da Inglaterra. Enquanto está lá vai descobrindo histórias sobre a sua família, compreendendo-as através de um teatro de marionetas tradicional e violento – Judy e Mr. Punch.
A atmosfera das imagens é sombria e as experiências e memórias do jovem protagonista também.
Fundamentação teórica
Existe uma beleza estranha nas ilustrações de McKean, turvas, distorcidas, escuras e por vezes macabras. Os românticos, por exemplo na pintura dos pré-rafaelitas, já experienciávam plenamente esse gosto pelo macabro, que se opunha à Beleza idealizada dos classicistas. Era a exaltação da estética do feio e do grotesco. O romantismo não tem problema em cantar os lugares como cemitérios e campos de batalha e de expôr a crueldade da vida. No livro Mr. Punch também a psique atormentada do protagonista surge sob a forma de imagens distocidas e a representação da deficiência física do seu tio-avô não se tenta minimamente esconder, pelo contrário, ela é parte fulcral da história, a exploração da fealdade e fraqueza.
Muito frequentemente ao longo do livro é também o uso de fotografia manipulada para veicular a ideia de memória ou sonho. Mais frequentemente é utilizado desenho para descrever acções na narrativa que ocorrem no tempo presente do que, como seria de esperar, a fotografia. A fotografia opõe-se ao real palpável, funciona como parte do material mental, uma construcção, nunca totalmente credível e muitas vezes deformada, tal como a nossa própria memória. Há até quem diga que a fotografia não é uma forma de nos recordarmos, mas antes um modo de esquecermos, transferindo a nossa memória para a película.
Curiosidades
A peça Punch and Judy deriva de um teatro de marionetas italiano que foi posteriormente trazido para Itália.

G/ GAIMAN & MCKEAN

Informação técnica 

Graphic Novel

GAIMAN, Neil et McKEAN, Dave “The Comical Tragedy or Tragical Comedy of Mr. Punch”

London, 2006, Bloomsbury Publishing

Razões da escolha

Sou leitora assídua das graphic novels escritas por Neil Gaiman e disfruto especialmente quando as imagens são criadas pelo Dave McKean, é a junção perfeita para dar forma a um universo peculiar.

Sumário

A graphic novel fala sobre a passagem da infância para a vida adulta e fá-lo contando a história de um rapaz que vai passar o verão a casa dos avós em Porthsmouth, uma cidade do litoral da Inglaterra. Enquanto está lá vai descobrindo histórias sobre a sua família, compreendendo-as através de um teatro de marionetas tradicional e violento – Judy e Mr. Punch.

A atmosfera das imagens é sombria e as experiências e memórias do jovem protagonista também.

Fundamentação teórica

Existe uma beleza estranha nas ilustrações de McKean, turvas, distorcidas, escuras e por vezes macabras. Os românticos, por exemplo na pintura dos pré-rafaelitas, já experienciávam plenamente esse gosto pelo macabro, que se opunha à Beleza idealizada dos classicistas. Era a exaltação da estética do feio e do grotesco. O romantismo não tem problema em cantar os lugares como cemitérios e campos de batalha e de expôr a crueldade da vida. No livro Mr. Punch também a psique atormentada do protagonista surge sob a forma de imagens distocidas e a representação da deficiência física do seu tio-avô não se tenta minimamente esconder, pelo contrário, ela é parte fulcral da história, a exploração da fealdade e fraqueza.

Muito frequentemente ao longo do livro é também o uso de fotografia manipulada para veicular a ideia de memória ou sonho. Mais frequentemente é utilizado desenho para descrever acções na narrativa que ocorrem no tempo presente do que, como seria de esperar, a fotografia. A fotografia opõe-se ao real palpável, funciona como parte do material mental, uma construcção, nunca totalmente credível e muitas vezes deformada, tal como a nossa própria memória. Há até quem diga que a fotografia não é uma forma de nos recordarmos, mas antes um modo de esquecermos, transferindo a nossa memória para a película.

Curiosidades

A peça Punch and Judy deriva de um teatro de marionetas italiano que foi posteriormente trazido para Itália.

H/ HOW TO
Razões da escolha
Como estudante de design, acho muito interessantes os métodos visuais de síntese e explicação do mundo através da imagem. Assim, as infografias, desde esquemas mais comuns como instrucções de montagem de um brinquedo até a um desenho em perspectiva de explosão dos componentes de um avião constituem para mim objectos de interesse, pela sua tentativa de informar e clariicar o mais possível universalmente. No fundo, é uma tentativa de reunir todas as línguas do mundo numa só, um Esperanto visual.
Fundamentação teórica
A nossa vida está actualmente rodeada de comunicação visual, desde embalagens de iogurte a formulários das Finanças, jornais e sinais de trânsito. E é uma teia de comunicação complexa. Não se trata apenas da aparência das coisas mas do seu significado e lógica internas. Cada elemento forma um significado dentro da linguagem visual.
Numa comunidade global cada vez mais naturalizada com a tecnologia – metros, automóveis, escovas-dos-dentes eléctricas, medicamentos, electrodomésticos, Bimby’s, formulários burocráticos, baterias e pilhas e pilhas recarregáveis, móveis do IKEA – precisamos de alguma ajuda para desembalar, montar, pôr a funcionar e programar muitos dos objectos que nos parecem essenciais para a vida actual. E aí entram as instrucções. E porque não escritas? No mundo globalizado os produtos são enviados para vários pontos do globo e espera-se que visualmente sejam mais facilmente compreendidas por todos.
Alguns objectos tentam que a sua forma indique mais facilmente o modo de usar, mas muitas vezes isso não é suficiente. No caso dos sinais de trânsito, é mesmo necessário que a linguagem visual esteja presente e seja a mesma para todos, por muito complexa que possa ser.
Mas estas imagens ultrapassam o carácter meramente utilitário. Podemos colocá-las ao lado da banda-desenhada ou das imagens de ilustração científica, como exemplos de “low art”.
Ainda que achemos a nossa vida como extremamente complexa devido à introdução das enormes quantidades de tecnologia, podemos encontrar a intenção de imagens com instrucções em sociedades tão antigas e aparentemente “simples” como a que deixou as pinturas rupestres de Altamira há cerca de 20.000 anos.
Na Turquia encontra-se uma das indicações mais antigas e inequívocas já encontradas: no pavimento está desenhado o pé que aponta para a cara de uma mulher; indica claramente a direcção para um bordel.
Com o Renascimento as técnicas de representação (perspectiva) e a imprensa tornaram as representações diagramáticas e instrutivas ainda mais ricas, mostrando cortes em habitações que deixavam ver o seu recheio e vistas de explosão/desenho expandido da composição de objectos.
Mas foi só mais tarde, durante a Revolução Industrial, que os primeiros manuais saíram a acompanhar a venda de máquinas, nomeadamente em máquinas de costura e de escrever.
Com a Segunda Guerra Mundial e a necessidade de ensinar a muitos jovens o manejo de máquinas de guerra surgiu o filme de instrucções, desenhos animados. Nos Estados Unidos o grande produtor destes filmes era a companhia de Walt Disney. O design de instrucções retirou muita da sua linguagem dos desenhos animados e das BD.
A vida (pós-)moderna é um contínuo exercício de inteligência e descodificação.

H/ HOW TO

Razões da escolha

Como estudante de design, acho muito interessantes os métodos visuais de síntese e explicação do mundo através da imagem. Assim, as infografias, desde esquemas mais comuns como instrucções de montagem de um brinquedo até a um desenho em perspectiva de explosão dos componentes de um avião constituem para mim objectos de interesse, pela sua tentativa de informar e clariicar o mais possível universalmente. No fundo, é uma tentativa de reunir todas as línguas do mundo numa só, um Esperanto visual.

Fundamentação teórica

A nossa vida está actualmente rodeada de comunicação visual, desde embalagens de iogurte a formulários das Finanças, jornais e sinais de trânsito. E é uma teia de comunicação complexa. Não se trata apenas da aparência das coisas mas do seu significado e lógica internas. Cada elemento forma um significado dentro da linguagem visual.

Numa comunidade global cada vez mais naturalizada com a tecnologia – metros, automóveis, escovas-dos-dentes eléctricas, medicamentos, electrodomésticos, Bimby’s, formulários burocráticos, baterias e pilhas e pilhas recarregáveis, móveis do IKEA – precisamos de alguma ajuda para desembalar, montar, pôr a funcionar e programar muitos dos objectos que nos parecem essenciais para a vida actual. E aí entram as instrucções. E porque não escritas? No mundo globalizado os produtos são enviados para vários pontos do globo e espera-se que visualmente sejam mais facilmente compreendidas por todos.

Alguns objectos tentam que a sua forma indique mais facilmente o modo de usar, mas muitas vezes isso não é suficiente. No caso dos sinais de trânsito, é mesmo necessário que a linguagem visual esteja presente e seja a mesma para todos, por muito complexa que possa ser.

Mas estas imagens ultrapassam o carácter meramente utilitário. Podemos colocá-las ao lado da banda-desenhada ou das imagens de ilustração científica, como exemplos de “low art”.

Ainda que achemos a nossa vida como extremamente complexa devido à introdução das enormes quantidades de tecnologia, podemos encontrar a intenção de imagens com instrucções em sociedades tão antigas e aparentemente “simples” como a que deixou as pinturas rupestres de Altamira há cerca de 20.000 anos.

Na Turquia encontra-se uma das indicações mais antigas e inequívocas já encontradas: no pavimento está desenhado o pé que aponta para a cara de uma mulher; indica claramente a direcção para um bordel.

Com o Renascimento as técnicas de representação (perspectiva) e a imprensa tornaram as representações diagramáticas e instrutivas ainda mais ricas, mostrando cortes em habitações que deixavam ver o seu recheio e vistas de explosão/desenho expandido da composição de objectos.

Mas foi só mais tarde, durante a Revolução Industrial, que os primeiros manuais saíram a acompanhar a venda de máquinas, nomeadamente em máquinas de costura e de escrever.

Com a Segunda Guerra Mundial e a necessidade de ensinar a muitos jovens o manejo de máquinas de guerra surgiu o filme de instrucções, desenhos animados. Nos Estados Unidos o grande produtor destes filmes era a companhia de Walt Disney. O design de instrucções retirou muita da sua linguagem dos desenhos animados e das BD.

A vida (pós-)moderna é um contínuo exercício de inteligência e descodificação.

I/ I CAN HAZ?
Razões da escolha
É a internet, está em todo lado, como é que eu podia ignorar a sua cultura?
Até para a vida real a vejo transportada.
Fundamentação teórica
A palavra meme designa uma ideia que é passada de pessoa para pessoa dentro de uma determinada cultura. A palavra vem da junção de “gene” com o francês “même” (“mesmo”) e, analogamente com os gentes que transmitem informações biológicas, os memes veiculam ideias.
E tal como os genes, os memes podem desparecer, sobreviver ou sofrer mutações.
O contexto do surgimento do conceito de meme remonta a 1904, no trabalho do bólogo alemãp Richard Semon que introduziu a noção de evolução social, Mais tarde, em 1976, o termo é tornado a aplicar por Dawkins no seu conhecido livro The Selfish Gene, para explicar o comportamento humano e a evolução cultural. As características fundamentais do meme são a rua replicabilidade e transmissão. Parece então natural que o conceito tenha o seu expoente máximo na Internet, terreno óptimo para a transmissão e repetição da comunicação.
Na Internet os memes formam-se a partir de diversos assuntos, desde obras literárias a assuntos da actualidade do mundo “offline”. Num contexto mais restrito, são entendidos como a repetição e adaptação de uma ideia, normalmente uma piada. Para que um meme seja identificado, este tem de se identificar visual e conceptualmente com as suas réplicas. Muitos memes acabam por passar do ecrã para a linguagem do dia-a-dia. Acabam também por se fechar cada vez mais sobre si, numa linguagem acessível apenas aos já iniciados e que só fazem sentido criando uma série de ligações a outros memes existentes. É como se a Internet tivesse acelerado a nossa capacidade de criar ligações mentais ao mesmo tempo que providencia essas ligações para informações.
Alguns dos memes mais conhecidos da Internet são os chamados “Demotivational Posters” e os “LolCats”. Mas fora da Internet os memes já existiam com algum esplendor, muito graças à televisão e ao cinema, que criavam uma plataforma capaz de transmitir uma mesma ideia a várias pessoas. Citações de Star Wars e cumprimentos do StarTrek são situações identificáveis como memes culturais. Mas a capacidade de, individualmente, moldar e voltar a passar essas ideias estava ainda muito aquém daquilo a que podemos ter acesso hoje.

I/ I CAN HAZ?

Razões da escolha

É a internet, está em todo lado, como é que eu podia ignorar a sua cultura?

Até para a vida real a vejo transportada.

Fundamentação teórica

A palavra meme designa uma ideia que é passada de pessoa para pessoa dentro de uma determinada cultura. A palavra vem da junção de “gene” com o francês “même” (“mesmo”) e, analogamente com os gentes que transmitem informações biológicas, os memes veiculam ideias.

E tal como os genes, os memes podem desparecer, sobreviver ou sofrer mutações.

O contexto do surgimento do conceito de meme remonta a 1904, no trabalho do bólogo alemãp Richard Semon que introduziu a noção de evolução social, Mais tarde, em 1976, o termo é tornado a aplicar por Dawkins no seu conhecido livro The Selfish Gene, para explicar o comportamento humano e a evolução cultural. As características fundamentais do meme são a rua replicabilidade e transmissão. Parece então natural que o conceito tenha o seu expoente máximo na Internet, terreno óptimo para a transmissão e repetição da comunicação.

Na Internet os memes formam-se a partir de diversos assuntos, desde obras literárias a assuntos da actualidade do mundo “offline”. Num contexto mais restrito, são entendidos como a repetição e adaptação de uma ideia, normalmente uma piada. Para que um meme seja identificado, este tem de se identificar visual e conceptualmente com as suas réplicas. Muitos memes acabam por passar do ecrã para a linguagem do dia-a-dia. Acabam também por se fechar cada vez mais sobre si, numa linguagem acessível apenas aos já iniciados e que só fazem sentido criando uma série de ligações a outros memes existentes. É como se a Internet tivesse acelerado a nossa capacidade de criar ligações mentais ao mesmo tempo que providencia essas ligações para informações.

Alguns dos memes mais conhecidos da Internet são os chamados “Demotivational Posters” e os “LolCats”. Mas fora da Internet os memes já existiam com algum esplendor, muito graças à televisão e ao cinema, que criavam uma plataforma capaz de transmitir uma mesma ideia a várias pessoas. Citações de Star Wars e cumprimentos do StarTrek são situações identificáveis como memes culturais. Mas a capacidade de, individualmente, moldar e voltar a passar essas ideias estava ainda muito aquém daquilo a que podemos ter acesso hoje.

J/ JACK, SAMURAI JACK
Série de animação - televisão/Cartoon Network
Estados Unidos
criada por Genndy Tartakovsky
2001 - 2004 (4 séries)
Do mesmo criador de  Dexter’s Laboratory, outra série de animação que de algum modo também marcou a minha pré-adolescência, Samurai Jack foi para mim uma surpresa neste mundo dos desenhos animados. Numa altura em que os meus gostos televisivos estavam a mudar, esta foi a série que me ajudou a perceber que a animação pode ser mais interessante que uma série de movimentos coloridos e sonoplastia histérica reservada a crianças.
 Aliás, as séries de Samurai Jack não podiam estar mais longe disso.
Marcadas por uma sonoplastia discreta mas eficaz - existem episódios extremamente silenciosos, quase contemplativos - e um artwork bastante refinado - com a utilização de paletas cromáticas inteligentes e por vezes pouco saturadas e baseadas em ilustrações acrílicas - as séries de Samurai Jack souberam criar o paradigma da animação mais comercial, do Cartoon Network, e foram até reposicionadas como entretenimento para adultos, em 2008.
A narrativa da série baseia-se no antigo e recorrente mito da luta do bem contra o mal. A série começa no Japão feudal, sendo o príncipe Jack quem encarna o bem e Aku, o demónio-dragão, a personagem que representa o mal. 
No entanto, em vez de partir para clichés relacionados com orientalismos na representação pictórica e no desenvolvimento da história, a série aposta num eclectismo a nível de cenários, situações e personagens (desde um escocês com mudanças de humor bruscas ao próprio Minotauro).


O mundo de Jack é um mundo onde a tecnologia se tornou tão avançada que por vezes se confunde com magia ( um pouco como a terceira lei enunciada pelo autor Arthur C. Clarke “Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic.”). Coabitando com este mundo altamente avançado existem figuras mitológicas/divinas como Odin ou Zeus.
As séries foram premiadas com cinco prémios Emmy e foram criadas adaptações para jogos e livros de banda-desenhada. Existem também muitas criações - montagens, vídeos, ilustrações - à volta da série feitas por fãs e partilhas em redes como o deviantart.

J/ JACK, SAMURAI JACK

Série de animação - televisão/Cartoon Network

Estados Unidos

criada por Genndy Tartakovsky

2001 - 2004 (4 séries)

Do mesmo criador de  Dexter’s Laboratory, outra série de animação que de algum modo também marcou a minha pré-adolescência, Samurai Jack foi para mim uma surpresa neste mundo dos desenhos animados. Numa altura em que os meus gostos televisivos estavam a mudar, esta foi a série que me ajudou a perceber que a animação pode ser mais interessante que uma série de movimentos coloridos e sonoplastia histérica reservada a crianças.

 Aliás, as séries de Samurai Jack não podiam estar mais longe disso.

Marcadas por uma sonoplastia discreta mas eficaz - existem episódios extremamente silenciosos, quase contemplativos - e um artwork bastante refinado - com a utilização de paletas cromáticas inteligentes e por vezes pouco saturadas e baseadas em ilustrações acrílicas - as séries de Samurai Jack souberam criar o paradigma da animação mais comercial, do Cartoon Network, e foram até reposicionadas como entretenimento para adultos, em 2008.

A narrativa da série baseia-se no antigo e recorrente mito da luta do bem contra o mal. A série começa no Japão feudal, sendo o príncipe Jack quem encarna o bem e Aku, o demónio-dragão, a personagem que representa o mal.Aku and Jack 

No entanto, em vez de partir para clichés relacionados com orientalismos na representação pictórica e no desenvolvimento da história, a série aposta num eclectismo a nível de cenários, situações e personagens (desde um escocês com mudanças de humor bruscas ao próprio Minotauro).

Scottsman

Minotauro

O mundo de Jack é um mundo onde a tecnologia se tornou tão avançada que por vezes se confunde com magia ( um pouco como a terceira lei enunciada pelo autor Arthur C. Clarke “Any sufficiently advanced technology is indistinguishable from magic.”). Coabitando com este mundo altamente avançado existem figuras mitológicas/divinas como Odin ou Zeus.

As séries foram premiadas com cinco prémios Emmy e foram criadas adaptações para jogos e livros de banda-desenhada. Existem também muitas criações - montagens, vídeos, ilustrações - à volta da série feitas por fãs e partilhas em redes como o deviantart.


About:

26 escolhas e o seu respectivo suporte teórico.
2011